ETF de bitcoin ou bitcoin na corretora, passei um ano medindo o que o preço faz com a bolsa fechada
Quem pesquisa ETF de bitcoin no Brasil costuma chegar com duas perguntas. Se vale a pena e se é melhor comprar a cota na bolsa ou o bitcoin na corretora de cripto. As duas coisas seguem o mesmo preço. Mas não são a mesma coisa. A cota é um direito sobre moedas guardadas por outra empresa. O bitcoin comprado na corretora é a moeda em si, que você pode sacar.
Eu quis medir a diferença que mais aparece no dia a dia, que é o horário. Peguei um ano inteiro de cotações do bitcoin e separei o que aconteceu com a bolsa de Nova York aberta e fechada. Também li as taxas dos fundos nos documentos das gestoras e conferi o custo de saque na Binance. Os números estão nas tabelas, com a data em que foram medidos.
O que você encontra aqui (13)
ETF de bitcoin vale a pena? Primeiro veja o que você compra de verdadeComo funciona um ETF de bitcoin por dentroHASH11, QBTC11, BITH11 ou IBIT39: o que muda entre as opções da B3O que a cota do ETF não deixa fazer e o que ela facilitaPregão americano em horário de Brasília e o que medi em um ano inteiroPor que a cota acompanha o bitcoin e quando isso deixou de funcionarTaxa de administração: a tabela dos ETFs americanosComprar na corretora de cripto e o custo que se paga uma vezA conta lado a lado em um, cinco, dez e vinte anosSe algo dá errado na corretora de valores, na exchange ou na carteira própriaETF de futuros, alavancado e inverso são outro produtoComo comprar bitcoin com PIX, passo a passoMinha opinião
Ver em tamanho maior ↗ETF de bitcoin vale a pena? Primeiro veja o que você compra de verdade
A pergunta “vale a pena” não tem uma resposta só. Ela depende de três coisas. Quem guarda a moeda. Em que horário você consegue vender. E quanto dinheiro fica parado por quanto tempo.
Existem três jeitos de acompanhar o preço do bitcoin com dinheiro de verdade. O primeiro é a cota de um ETF. ETF é um fundo com cotas negociadas na bolsa, pelo home broker, do mesmo jeito que uma ação. A cota é uma fração do patrimônio desse fundo. O segundo jeito é comprar bitcoin numa corretora de cripto e deixar lá. O terceiro é comprar e sacar para uma carteira própria.
Nos três casos o preço que você vê sobe e desce junto. O que muda é o que está no seu nome. No ETF, você tem a cota, e o fundo é quem tem as moedas. Na corretora de cripto, você tem um saldo em bitcoin registrado na conta dela. Na carteira própria, você tem a chave privada. A chave privada é o segredo que autoriza qualquer movimentação daquelas moedas. Quem tem a chave tem a moeda.
Essa diferença parece pequena até o dia em que você quer fazer algo além de vender. Sacar a moeda ou mandar para alguém. Com a cota nada disso é possível. Com o saldo na corretora, depende de um saque. Com a chave privada, você faz sozinho.
| Pergunta | Cota de ETF | Bitcoin na corretora de cripto | Bitcoin na carteira própria |
|---|---|---|---|
| O que fica no seu nome | Uma fração do fundo | Um saldo na conta da corretora | A moeda, controlada pela sua chave |
| Quem guarda a moeda | A empresa contratada pelo fundo para guardar | A corretora | Você |
| Quando dá para vender | No pregão da bolsa | Todos os dias, a qualquer hora | A qualquer hora, depois de mandar para uma corretora ou vender no P2P |
| O que se paga | Taxa de administração todo ano, mais corretagem se houver | Taxa de compra, uma vez | Taxa de compra e de saque, uma vez; carteira física é opcional |
| Dá para sacar a moeda | Não | Sim | Já está com você |
| Se perder a senha | Recupera pela corretora de valores | Recupera pela corretora de cripto | Só com o backup da frase de recuperação |
Dá para dizer que um lado é melhor? Não em geral. Cada linha dessa tabela tem um custo e um risco diferente. O resto do texto coloca número em cada uma delas.
CRYPTONAKTACadastre-se com vantagem →Link de afiliadoComo funciona um ETF de bitcoin por dentro
O ETF de bitcoin é um fundo. O fundo compra bitcoin e guarda com um custodiante. Custodiante é a empresa contratada para guardar as chaves das moedas em nome do fundo. Nos ETFs americanos, na maioria dos casos é a Coinbase Custody. Nos fundos da B3, o nome do custodiante está no regulamento de cada um.
O fundo divide o patrimônio em cotas. Cada cota vale uma fração das moedas guardadas. Esse valor por cota se chama valor patrimonial, ou NAV na sigla em inglês. Ele é calculado com o preço do bitcoin e a quantidade de moedas do fundo. O fundo também desconta a taxa de administração desse patrimônio. É o valor cobrado por ano para manter o fundo, retirado aos poucos, um pouquinho por dia.
Você não compra a cota do fundo. Você compra de outro investidor, na bolsa. Quem cria e destrói cotas é o participante autorizado. É uma instituição financeira credenciada pelo fundo. Quando a cota está cara em relação ao valor patrimonial, ele entrega bitcoin ou dinheiro ao fundo e recebe cotas novas. Quando a cota está barata, ele faz o caminho contrário.
Esse vai e vem é o que mantém a cota perto do valor das moedas. Ele acontece o tempo todo, mas só com a bolsa aberta. E a criação e o resgate em moeda são só para o participante autorizado. O investidor comum vende a cota e recebe dinheiro. Ninguém saca bitcoin do fundo pelo home broker.
Um detalhe de nome. Nos Estados Unidos, esses produtos são trusts de commodity listados em bolsa, e o mercado chama de ETF mesmo assim. No Brasil, HASH11 e BITH11 são fundos de índice regulados pela CVM. O IBIT39 é outra coisa, e eu explico na próxima seção.
Se você nunca viu como o bitcoin em si funciona, o texto sobre o que é bitcoin explica a rede e as chaves sem jargão. Aqui eu fico só na parte que muda entre cota e moeda.
HASH11, QBTC11, BITH11 ou IBIT39: o que muda entre as opções da B3
Quem abre o home broker no Brasil encontra quatro códigos ligados ao bitcoin. Eles não são iguais. Dois seguem só o bitcoin. Um segue uma cesta de criptomoedas. E um é um recibo de um ETF americano. Vale olhar os quatro antes de comparar taxa.
O HASH11 é o mais antigo e o mais conhecido. Ele acompanha o Nasdaq Crypto Index, que é um índice com várias criptomoedas. O bitcoin pesa muito nesse índice, mas não é o único ativo. A taxa de administração é de 1,30% ao ano. Quem quer só bitcoin precisa saber disso antes de comprar.
O BITH11 é da mesma gestora, a Hashdex, e segue só o bitcoin. A taxa é de 0,70% ao ano. O QBTC11 é da QR Asset e também segue só o bitcoin. Está listado desde 2021. A taxa dele está na lâmina do fundo, e eu não a conferi nesta medição.
O IBIT39 é diferente dos três. Ele é um BDR. BDR é um recibo negociado na B3 que representa um ativo listado fora do país. Nesse caso, o ativo é o IBIT, o ETF de bitcoin da BlackRock. O IBIT cobra 0,25% ao ano. O recibo negocia na B3 desde dezembro de 2024.
Com o BDR, o preço em reais tem duas partes. Uma é o bitcoin em dólar. A outra é o dólar em real. Se o bitcoin fica parado e o dólar sobe, a cota sobe em reais. Além disso, o programa de BDR tem custos próprios, cobrados pela instituição depositária. Eles ficam por cima da taxa do IBIT.
| Código | O que é | O que segue | Taxa anual | Observação |
|---|---|---|---|---|
| HASH11 | Fundo de índice (Hashdex) | Nasdaq Crypto Index, uma cesta de criptomoedas | 1,30% | Não é só bitcoin |
| BITH11 | Fundo de índice (Hashdex) | Bitcoin | 0,70% | Fundo brasileiro, só bitcoin |
| QBTC11 | Fundo de índice (QR Asset) | Bitcoin | Confira na lâmina | Listado em 2021 |
| IBIT39 | BDR do IBIT (BlackRock) | Cota do IBIT, em dólar | 0,25% do IBIT, mais os custos do BDR | Negocia desde dezembro de 2024; o câmbio entra no preço |
Taxas conferidas em 25 de setembro de 2026 nos documentos das gestoras e na notícia de lançamento do BDR. Elas mudam com o tempo. A lâmina de cada fundo é a fonte final.
Na sua corretora de valores, pode aparecer só parte desses códigos. Os produtos que aparecem mudam conforme a corretora e o país. Confira na sua tela antes de decidir. Se o seu objetivo é só bitcoin, o HASH11 responde a outra pergunta.
Na comparação “HASH11 ou IBIT39”, a primeira pergunta é essa. Cesta ou bitcoin. A segunda é o custo. O câmbio entra nos dois casos, porque o bitcoin é cotado em dólar no mundo inteiro. O que muda no BDR é o custo do programa e o horário de referência, que eu mostro mais adiante.
O que a cota do ETF não deixa fazer e o que ela facilita
A cota resolve muita coisa e trava outras. Começo pelo que ela não deixa fazer.
Primeiro, com a cota do ETF você não consegue sacar o bitcoin. Você vende a cota e recebe reais na conta da corretora de valores. Isso vale no Brasil e nos Estados Unidos. Em julho de 2025 o regulador americano liberou a criação e o resgate de cotas em bitcoin. Mesmo assim, isso ficou restrito ao participante autorizado. Para o cotista comum nada mudou.
Segundo, a cota não serve para pagar ninguém nem para usar em nenhuma rede. Ela não entra numa carteira. Não dá para mandar para um amigo nem usar num serviço que aceite bitcoin. Para tudo isso é preciso ter a moeda.
Terceiro, o fundo abre mão dos direitos de fork e airdrop. Quando a rede do bitcoin se divide e nasce uma moeda nova, quem tem bitcoin na carteira recebe a moeda nova também. O prospecto do IBIT diz que o fundo renuncia a esses direitos de forma permanente. Se isso tem valor é outra conversa. O ponto é que o cotista não recebe.
Agora o que a cota facilita. Ela fica na mesma conta das suas ações e dos seus fundos. Aparece no mesmo extrato e entra no mesmo informe da corretora. Não existe frase de recuperação para guardar. Se você esquecer a senha, recupera pelo atendimento da corretora de valores.
Em caso de falecimento, as cotas seguem o inventário como qualquer outro ativo na corretora. Com bitcoin em carteira própria, a família precisa achar a chave. Sem a chave, as moedas ficam paradas para sempre. Isso é um custo real da autocustódia.
Nos Estados Unidos ainda tem mais duas facilidades. O IBIT tem opções negociadas em bolsa desde novembro de 2024. E a cota entra em contas de aposentadoria com benefício fiscal, como o IRA. No Brasil, o que existe é a cota dentro de uma conta comum de corretora.
Pregão americano em horário de Brasília e o que medi em um ano inteiro
O bitcoin negocia todos os dias, sem parar. A cota do ETF negocia só no pregão. Essa é a diferença que mais pesa no dia a dia e pouca gente coloca em número. Então eu medi.
Primeiro os horários. O IBIT negocia na bolsa americana das 9h30 às 16h no horário de Nova York. Em Brasília, isso vira 10h30 às 17h durante o horário de verão americano. Esse período vai de março a novembro. No resto do ano, vira 11h30 às 18h. A mudança vem toda do lado de lá.
O IBIT39 e os fundos da B3 negociam no pregão da B3, que é outro horário. Os horários exatos estão no site da B3. Fim de semana e feriado da bolsa não têm negociação, nem aqui nem lá.
| Mercado | Quando negocia | Em horário de Brasília |
|---|---|---|
| Bitcoin nas corretoras de cripto | Todos os dias, o dia inteiro | Sempre |
| IBIT e os outros ETFs americanos | Pregão de Nova York, de segunda a sexta | 10h30 às 17h no horário de verão americano; 11h30 às 18h no resto do ano |
| HASH11, BITH11, QBTC11 e IBIT39 | Pregão da B3, de segunda a sexta | Horário da B3; confira no site da bolsa |
Horários convertidos com o fuso oficial de cada cidade em 25 de setembro de 2026. Feriados de cada bolsa ficam de fora.
Agora a medição. Peguei as cotações do par BTC/USDT da Binance em velas de trinta minutos. O período vai de 25 de setembro de 2025 a 25 de setembro de 2026. São 17.520 velas. Converti cada uma para o horário de Nova York e marquei se ela caiu dentro do pregão ou fora. Considerei os feriados da bolsa americana e os dias de fechamento antecipado.
O pregão cobre 18,6% do tempo. Numa semana são 32,5 horas de 168. Foram 251 dias de pregão no período. O resto é noite e madrugada. Ou fim de semana e feriado.
Depois somei o tamanho de cada movimento de trinta minutos, para cima ou para baixo. Com a bolsa fechada aconteceu 71,1% desse total. Dentro do pregão ficou só 28,9%. Ou seja, a maior parte do movimento aconteceu com a bolsa fechada. Por hora, o pregão é mais agitado. A volatilidade anualizada com a bolsa aberta deu 64,5%. Com a bolsa fechada deu 39,2%. Mas a bolsa fica fechada por tanto tempo que o total pende para o outro lado.
Depois olhei os fins de semana. A bolsa fecha na sexta à tarde e reabre na segunda de manhã. Comparei o fechamento da sexta com a abertura da segunda em 52 fins de semana. A diferença mediana foi de 2,04%. Em 12 deles a diferença passou de três por cento. Em 3 passou de cinco.
O pior caso foi o fim de semana de 30 de janeiro de 2026 para 2 de fevereiro de 2026. A abertura da segunda ficou 7,01% abaixo do fechamento da sexta. No meio do fim de semana o preço chegou a ficar 11,09% abaixo. Quem tinha cota do ETF viu esse número pela primeira vez na segunda de manhã. Quem tinha bitcoin na corretora podia ter vendido no sábado. Ou comprado. Ou não feito nada.
| O que medi | Resultado |
|---|---|
| Parte do tempo com a bolsa de Nova York aberta | 18,6% (32,5 horas por semana) |
| Parte do movimento total do preço com a bolsa fechada | 71,1% |
| Parte do movimento total com a bolsa aberta | 28,9% |
| Volatilidade anualizada com a bolsa aberta / fechada | 64,5% / 39,2% |
| Fins de semana medidos | 52 |
| Diferença mediana entre o fechamento da sexta e a abertura da segunda | 2,04% |
| Fins de semana com diferença acima de dois por cento | 26 |
| Acima de três por cento | 12 |
| Acima de cinco por cento | 3 |
| Fins de semana em que o preço oscilou mais de cinco por cento entre a mínima e a máxima | 21 |
| Mais de dez por cento entre a mínima e a máxima | 2 |
| Pior fim de semana (30 de janeiro de 2026 a 2 de fevereiro de 2026) | Abertura 7,01% abaixo; mínima 11,09% abaixo; oscilação de 13,3% |
| Noites de semana medidas | 195 |
| Noites com diferença acima de três por cento | 23 |
| Feriados e fins de semana prolongados | 10, dos quais 4 com diferença acima de três por cento |
Medição própria em velas de trinta minutos do par BTC/USDT da Binance, de 25 de setembro de 2025 a 25 de setembro de 2026. Pregão de Nova York das 9h30 às 16h no horário local, com feriados e fechamentos antecipados considerados. No período, o bitcoin oscilou entre US$ 57.800 e US$ 126.200.
Uma coisa que a medição não muda. O preço do bitcoin oscila do mesmo jeito para todo mundo. Quem tem cota e quem tem moeda perdem ou ganham o mesmo no fim de semana. A diferença é quem consegue agir no meio do caminho. Nenhum dos dois lados escapa da oscilação em si. E poder agir no sábado não é bom nem ruim por si. É uma escolha, e ela fica melhor quando se sabe quanto o preço anda com a bolsa fechada.
Ver em tamanho maior ↗Por que a cota acompanha o bitcoin e quando isso deixou de funcionar
A cota de um ETF não tem preço fixado pelo fundo. Quem define é quem compra e quem vende na bolsa. Ela poderia descolar do valor das moedas. Não descola porque existe a arbitragem do participante autorizado, que eu descrevi antes. Ele ganha dinheiro quando a cota sai do lugar. Esse ganho traz a cota de volta para perto do valor patrimonial.
Então o preço da cota acompanha o bitcoin enquanto a arbitragem funciona. Não é uma garantia escrita em contrato. É o resultado de um mecanismo que precisa estar rodando. Quando ele para, a cota pode ficar longe do valor das moedas por muito tempo.
Isso já aconteceu, e por anos. O GBTC, da Grayscale, começou em 2013 como um trust sem mecanismo de resgate. Cotas eram criadas, mas não podiam ser resgatadas. A partir de fevereiro de 2021, o GBTC passou a negociar abaixo do valor das moedas que tinha. Em dezembro de 2022, o desconto chegou a algo entre 48% e 49%.
Em janeiro de 2024, o GBTC virou ETF e ganhou o mecanismo de criação e resgate. O desconto praticamente sumiu depois disso. O caso serve de lembrete. A cota só fica colada no bitcoin enquanto alguém tem lucro em colar.
Em julho de 2025, o regulador americano liberou que o participante autorizado crie e resgate cotas entregando bitcoin, e não só dinheiro. Isso reduz o custo da arbitragem e tende a apertar a diferença entre cota e valor patrimonial. Para o cotista, nada mudou. Continua vendendo a cota por dinheiro.
No caso do IBIT39, a arbitragem tem mais um passo. O recibo na B3 precisa acompanhar o IBIT em Nova York, convertido pelo câmbio do dia. Nos horários em que a B3 está aberta e Nova York está fechada, o preço de referência fica parado. Quem compra nesse intervalo está pagando pela última cotação americana mais o câmbio do momento.
Taxa de administração: a tabela dos ETFs americanos
A taxa de administração é o que o fundo cobra por ano para existir. Ela é descontada do patrimônio um pouquinho por dia. Você não vê boleto nem lançamento na conta. Vê a cota render um pouco menos que o bitcoin ao longo do tempo. Por isso ela parece pequena e pesa mais do que parece.
Nos Estados Unidos, a concorrência entre gestoras deixou a taxa da maioria dos fundos abaixo de um quarto de ponto percentual ao ano. O GBTC é a exceção, com a taxa antiga do trust. A lista completa está na tabela, com o custodiante e a data de listagem de cada um.
| Código | Gestora | Taxa anual | Custodiante | Listado em | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| IBIT | iShares (BlackRock) | 0,25% | Coinbase Custody e Anchorage Digital | 11/01/2024 | Base do IBIT39 na B3 |
| FBTC | Fidelity | 0,25% | Fidelity Digital Assets (da própria gestora) | 11/01/2024 | |
| GBTC | Grayscale | 1,50% | Coinbase Custody | 11/01/2024 | Trust de 2013 convertido em ETF |
| BTC | Grayscale Bitcoin Mini Trust | 0,15% | Coinbase Custody | 31/07/2024 | Versão mini da Grayscale |
| BITB | Bitwise | 0,20% | Coinbase Custody | 11/01/2024 | |
| ARKB | ARK 21Shares | 0,21% | Coinbase Custody | 11/01/2024 | |
| HODL | VanEck | 0,25% | Gemini e Coinbase | 11/01/2024 | |
| EZBC | Franklin Templeton | 0,19% | Coinbase Custody | 11/01/2024 | |
| BTCO | Invesco Galaxy | 0,25% | Coinbase Custody | 11/01/2024 | |
| BTCW | WisdomTree | 0,25% | Coinbase Custody | 11/01/2024 | |
| BRRR | CoinShares Valkyrie | 0,25% | Coinbase Custody | 11/01/2024 | |
| MSBT | Morgan Stanley | 0,14% | Coinbase Custody e BNY (segundo o registro) | 08/04/2026 | Listado em abril de 2026 |
Taxas e custodiantes conferidos em 25 de setembro de 2026 nos documentos das gestoras e em reportagens de lançamento. Datas de listagem em dia/mês/ano. Tudo isso muda. A lâmina do fundo é a fonte final.
Repare na coluna do custodiante. Dos onze fundos que estrearam juntos em janeiro de 2024, nove usam a Coinbase Custody. Boa parte do bitcoin dos ETFs americanos está guardada pela mesma empresa. Não é um problema em si. É uma concentração, e ela merece ser conhecida.
Em tamanho, os ETFs americanos de bitcoin somavam cerca de US$ 102,5 bilhões em patrimônio em setembro de 2026. Isso dava perto de 6,29% de todo o bitcoin existente. Esse número muda toda semana e não serve para prever nada.
Comprar na corretora de cripto e o custo que se paga uma vez
Do outro lado da comparação está comprar bitcoin numa corretora de cripto, também chamada de exchange. Aqui não existe taxa anual. Existe uma taxa na compra, cobrada uma vez. Se você sacar para uma carteira própria, existe a taxa de saque, também uma vez. E se quiser uma carteira física, existe o preço do aparelho.
Na Binance, a taxa padrão do mercado à vista é de 0,10% por operação. Quem paga a taxa em BNB tem desconto. Quem se cadastra com código de indicação também. Os valores desses descontos estão nos cartões mais abaixo. Em outras corretoras a taxa muda, e o texto sobre a forma mais barata de comprar bitcoin compara várias.
A taxa de saque depende da rede que você escolhe para receber. Eu li os valores nas configurações públicas da Binance em 25 de setembro de 2026. Pela rede principal do bitcoin o saque custava 0,00002 BTC. Isso dava cerca de US$ 1,68 ao preço daquele dia. Pela Lightning custava 0,000001 BTC. Em dólar, uns centavos.
| Rede de saque | Taxa em BTC | Saque mínimo em BTC | Observação |
|---|---|---|---|
| Bitcoin (rede principal) | 0,00002 | 0,0001 | Serve para qualquer carteira de bitcoin; cerca de US$ 1,68 no dia |
| Lightning Network | 0,000001 | 0,00002 | Só para carteiras com Lightning; cerca de US$ 0,08 no dia |
| Ethereum (ERC-20) | 0,0000095 | 0,000019 | Versão tokenizada; não é bitcoin na rede do bitcoin |
| BNB Smart Chain (BEP-20) | 0,00000028 | 0,00000056 | Versão tokenizada; não é bitcoin na rede do bitcoin |
Lido nas configurações públicas de saque da Binance em 25 de setembro de 2026, com o bitcoin a US$ 83.924. Esses valores mudam com o movimento da rede.
Um cuidado com as duas últimas linhas. Sacar pela rede Ethereum ou pela BNB Smart Chain manda um token que representa bitcoin naquela rede. Só faça isso se a carteira de destino for daquela rede. O texto sobre transferir cripto entre corretoras mostra como conferir a rede antes de enviar.
A carteira física é opcional. O aparelho custa na faixa de US$ 80 nas marcas mais conhecidas. Ele guarda a chave privada fora do computador e do celular. O texto sobre o que a carteira hardware protege explica o que ela resolve e o que não resolve. Uma carteira de celular é gratuita, e o guia de carteira de criptomoedas compara os tipos.
Somando tudo, o custo único é a taxa de compra mais o saque mais o aparelho, se houver. Para ficar só na corretora, é a taxa de compra e nada mais. Não existe nesse lado uma cobrança que se repete todo ano.
A conta lado a lado em um, cinco, dez e vinte anos
Agora a comparação que responde à pergunta do custo. De um lado, a taxa de administração sai do patrimônio todo ano. Do outro, um custo pago uma vez. Qual é mais barato depende de duas coisas. Quanto dinheiro e por quanto tempo.
Fiz a conta com três valores. Mil dólares, dez mil dólares e cem mil dólares. Usei a taxa de 0,25% ao ano, que é a do IBIT. Também mostro o que dá com as taxas mais baixas e com a do GBTC. As premissas estão embaixo da tabela. A principal é que o preço fica parado, para isolar só o efeito da taxa.
| Valor aplicado | Taxa acumulada em um ano | Em cinco anos | Em dez anos | Em vinte anos | Custo único, deixando na corretora | Custo único, sacando para carteira física | Anos até a taxa anual passar o custo único (corretora / carteira) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| US$ 1.000 | US$ 2,50 | US$ 12,44 | US$ 24,72 | US$ 48,83 | US$ 1,00 | US$ 82,68 | 0,4 / 34,5 |
| US$ 10.000 | US$ 25 | US$ 124 | US$ 247 | US$ 488 | US$ 10 | US$ 92 | 0,4 / 3,7 |
| US$ 100.000 | US$ 250 | US$ 1.244 | US$ 2.472 | US$ 4.883 | US$ 100 | US$ 182 | 0,4 / 0,7 |
| Com US$ 10 mil e outras taxas, o que a taxa anual tira em dez anos | |||||||
| Taxa de 0,15% (Grayscale mini) | US$ 149 | ||||||
| Taxa de 0,14% (Morgan Stanley) | US$ 139 | ||||||
| Taxa de 1,50% (GBTC) | US$ 1.403 | ||||||
Premissas da tabela. Preço do bitcoin parado. Taxa anual descontada do patrimônio com efeito composto. Compra a 0,10% na corretora. Saque de US$ 1,68 pela rede do bitcoin, lido em 25 de setembro de 2026. Aparelho de US$ 80. A corretagem da corretora de valores e os custos do BDR não entram.
Leia a tabela assim. Com dez mil dólares na cota do IBIT, a taxa tira US$ 25 no primeiro ano e US$ 488 em vinte anos. Na corretora de cripto, os mesmos dez mil pagam US$ 10 uma vez. A taxa anual passa esse valor em menos de meio ano. Sacando para uma carteira física o custo único sobe para US$ 92 por causa do aparelho. A taxa anual leva 3,7 anos para alcançar esse valor.
Com mil dólares, o aparelho domina a conta. O custo único de sacar chega a US$ 83. A taxa anual nesse tamanho é de US$ 2,50. Ela demora 34,5 anos para somar o mesmo valor. Com cem mil dólares é o contrário. A taxa anual chega a US$ 250 logo no primeiro ano e passa o custo da carteira física em menos de um ano.
A tabela não diz qual lado é melhor. Ela diz em que ponto a taxa anual ultrapassa o custo único, para cada tamanho. Quem fica pouco tempo ou com pouco dinheiro quase não sente. E quem vê valor na comodidade da conta única precisa colocar isso na conta também, do lado do ETF.
Uma observação sobre o Brasil. A conta acima usa a taxa do IBIT. O IBIT39 acrescenta os custos do BDR. O HASH11 e o BITH11 têm taxas maiores que a do IBIT. Com elas, o ponto de virada chega mais cedo.
Ver em tamanho maior ↗Se algo dá errado na corretora de valores, na exchange ou na carteira própria
Ninguém compra pensando no pior dia. Mas a comparação fica incompleta sem ele.
Primeiro, a corretora de valores onde você comprou a cota quebra. As cotas do ETF são patrimônio do fundo, e não da corretora. No Brasil, elas ficam registradas em seu nome no depositário da B3. A transferência para outra corretora segue o processo da bolsa e do regulador. As moedas em si continuam com o custodiante do fundo. O que muda de país para país é o mecanismo de proteção ao investidor e o prazo.
Segundo, a corretora de cripto quebra. Aqui a situação é outra. O saldo em bitcoin é um registro na conta da corretora. Se ela quebrar com as moedas dos clientes misturadas às dela, você entra na fila dos credores. O texto sobre o que acontece se a corretora quebrar conta o que aconteceu nos casos conhecidos e o que olhar antes de deixar saldo parado. O guia de como saber se uma corretora de cripto é confiável ajuda na escolha.
Terceiro, você perde o acesso à sua própria carteira. Nesse caso não existe atendimento para ligar. A recuperação depende só do backup da frase de recuperação. Se a frase vazou, outra pessoa pode gastar as moedas antes de você. O texto sobre frase de recuperação vazada explica o que fazer nas primeiras horas. A carteira física existe para reduzir a chance de a chave sair do aparelho.
Repare no que os três cenários têm em comum. No ETF e na exchange, quem guarda a moeda é outra empresa. Só na carteira própria a chave está com você. E aí a responsabilidade pelo backup também está. Não dá para dizer que um dos três é seguro em geral. Dá para dizer qual risco cada um carrega.
| O que deu errado | Cota de ETF | Bitcoin na corretora de cripto | Bitcoin na carteira própria |
|---|---|---|---|
| A empresa onde você comprou quebra | As cotas são patrimônio do fundo e ficam em seu nome; a transferência segue o processo da bolsa | O saldo é um registro da corretora; sem segregação, você vira credor | Não afeta; a moeda está com você |
| O custodiante do fundo tem um incidente | Afeta o fundo e todos os fundos que usam o mesmo custodiante | Não se aplica | Não se aplica |
| Você perde a senha | Recupera no atendimento da corretora de valores | Recupera no atendimento da corretora, com verificação de identidade | Só com o backup da frase; sem ele, as moedas ficam paradas |
| Alguém invade sua conta | Precisa vender e transferir o dinheiro, o que deixa rastro bancário | Pode sacar a moeda em minutos; o 2FA e a lista de endereços de saque ajudam | Quem tem a chave gasta |
A linha do custodiante merece uma frase a mais. Um incidente na Coinbase Custody afetaria vários fundos ao mesmo tempo. Não estou dizendo que isso é provável. Estou dizendo que quem compra três ETFs diferentes achando que diversificou o custodiante talvez não tenha diversificado nada.
ETF de futuros, alavancado e inverso são outro produto
Nem todo produto com “bitcoin” no nome guarda bitcoin. Três tipos aparecem em corretoras internacionais e merecem ser separados do que eu comparei até aqui.
O ETF de futuros compra contratos futuros de bitcoin, e não a moeda. Contrato futuro vence. Antes do vencimento, o fundo vende o contrato que está acabando e compra o do mês seguinte. Isso se chama rolagem. Quando o contrato seguinte é mais caro que o atual, cada rolagem custa um pouco. Ao longo de meses, o fundo pode render menos que o bitcoin mesmo com o preço da moeda subindo.
O ETF alavancado promete duas vezes o movimento do dia. O inverso promete o movimento contrário. Os dois acertam a conta todo dia para manter a proporção. Em um único dia a promessa funciona. Em vários dias seguidos, o resultado se afasta do dobro ou do inverso. É um produto de curtíssimo prazo por desenho.
| O que muda | ETF à vista | ETF de futuros | Alavancado ou inverso |
|---|---|---|---|
| O que o fundo tem | Bitcoin, guardado por um custodiante | Contratos futuros de bitcoin | Derivativos e swaps |
| Acompanha o bitcoin | De perto, enquanto a arbitragem funciona | Com desvio, por causa da rolagem | Só no dia; em vários dias o desvio cresce |
| Custo além da taxa | Corretagem, se houver | Custo de rolagem a cada vencimento | Custo do rebalanceamento diário |
| Prazo para o qual foi desenhado | Indefinido | Indefinido, com desvio acumulado | Um dia |
| Exemplos | IBIT, FBTC, BITH11 | BITO | Produtos de duas vezes ou inversos listados fora do país |
No home broker brasileiro, os quatro códigos que citei são produtos à vista ou um recibo de um produto à vista. Em corretoras internacionais, os três tipos aparecem lado a lado com nomes parecidos. Leia a lâmina antes de comprar e procure a palavra futuros ou o número de vezes no nome. O texto sobre mercado à vista e futuros explica o contrato futuro em si.
Um último tipo que aparece em anúncios é o CFD. CFD é um contrato de diferença de preço com uma plataforma. Você não tem cota nem moeda. Isso não entra na comparação deste texto.
Como comprar bitcoin com PIX, passo a passo
Se depois de tudo isso você quer ter a moeda, o caminho no Brasil é curto. A Binance e corretoras brasileiras como o Mercado Bitcoin aceitam depósito por PIX em reais. Descrevo o caminho na Binance, que é a que uso nas medições.
Primeiro, a conta. O cadastro pede e-mail ou telefone, verificação de identidade com documento e a ativação do 2FA. O guia do código de indicação da Binance mostra as telas do cadastro. Segundo, o depósito. Você gera um PIX dentro da corretora e paga pelo app do banco. O saldo em reais aparece na conta depois da confirmação.
Terceiro, a compra. No mercado à vista, você escolhe o par BTC/BRL e o valor em reais. Pode comprar uma fração. Não precisa comprar um bitcoin inteiro. O texto sobre como comprar bitcoin mostra a diferença entre ordem a mercado e ordem limitada. Se preferir comprar todo mês em vez de uma vez, o guia de aporte recorrente na Binance e na Bybit mostra como programar.
Quarto, e opcional, o saque. Se quiser a moeda na sua carteira, você cadastra o endereço e escolhe a rede. Para uma carteira de bitcoin comum, a rede é Bitcoin. Antes do primeiro saque grande, mande um valor pequeno de teste. Se a carteira for a da própria Binance, o texto sobre a carteira Binance explica o que ela é e o que não é.
A Binance tem o mercado BTC/BRL e o depósito por PIX. Bybit, OKX e Gate têm o mercado de bitcoin contra USDT. Nessas, o caminho comum é comprar USDT com real primeiro. O guia de como comprar USDT com PIX mostra esse passo. Os produtos disponíveis mudam conforme a região. Confira na sua tela antes de mandar dinheiro.
Binance
Bybit
OKX
Gate.io
Aviso de afiliados: alguns links são de parceiros. Podemos receber uma comissão sem custo extra para você. Isto não é recomendação de investimento.
Minha opinião
A divisão de verdade nessa comparação está no que cada um quer fazer com a posição. Três perguntas resolvem a maior parte dos casos. Quem guarda a chave. Em que horário você quer poder vender. E quanto dinheiro por quanto tempo.
Quem quer tudo dentro da conta de investimento tem um motivo sólido para ficar na cota. O extrato é um só. O inventário é o mesmo das ações. Não há frase de recuperação para guardar. Para essa pessoa, a taxa anual é o preço dessa comodidade. A tabela mostra quanto ela custa em cada tamanho e prazo. Se o valor parece justo, é uma escolha legítima.
Quem quer usar a moeda ou mandar para alguém não tem o que fazer com uma cota. O mesmo vale para quem quer mudar de corretora ou guardar por conta própria. Para essa pessoa, o caminho é a corretora de cripto e, se quiser, a carteira. O custo é pago uma vez. A contrapartida é que o backup vira responsabilidade dela.
Existe um terceiro grupo, e eu me incluo nele em parte. Gente que tem os dois. Uma parte na conta de investimento por praticidade e outra parte em carteira própria. São duas ferramentas para dois usos.
O ponto em que eu mais desconfio das discussões na internet é este. “O ETF é seguro” e “só a moeda na carteira é de verdade” são duas frases pela metade. No ETF e na corretora de cripto, quem guarda a moeda é outra empresa. Isso é igual nos dois. Na carteira própria, quem guarda é você, e quem responde pelo backup também é você. Nenhuma das três opções é isenta de risco. Elas trocam um risco por outro.
E o argumento contrário tem valor. A pessoa que não quer lidar com frase de recuperação e aceita pagar por isso está fazendo uma conta racional. Eu não teria como dizer que ela está errada. Só peço que ela veja o número da taxa em vinte anos antes de decidir.
Sobre o preço do bitcoin, não tenho opinião para publicar e este texto não tenta prever nada. A medição de um ano mostra como o preço se move em relação ao pregão. Ela não diz para onde ele vai.
Sobre imposto, as regras para cota de ETF e para bitcoin comprado direto são diferentes. Confira a sua situação com quem faz a sua declaração. Não coloco alíquota aqui de propósito.
Por fim, transparência. Este site usa links de afiliado e de indicação de corretoras de cripto. Se você se cadastrar por um deles, o site pode receber uma comissão, sem custo extra para você. Isso não mudou nenhum número deste texto. Os dados da medição são os mesmos para quem compra cota e para quem compra moeda.
Perguntas frequentes
Próximo passo: abrir conta na Binance com código de indicação








