O Bitcoin Cash mudou uma regra do Bitcoin e herdou todo o resto
Do minerador até a tela de depósito: a regra que foi alterada, tudo o que veio herdado sem mudança e em quais números da rede o resultado aparece.
Resumo em nove linhas
| Ponto | Em uma linha |
|---|---|
| O que é | cadeia separada do Bitcoin em 2017, com registro herdado e uma regra alterada |
| O que foi alterado | só o limite de tamanho do bloco (1 MB para 8 MB, depois 32 MB, depois ajuste automático) |
| O que foi herdado | teto de 21.000.000, redução a cada 210.000 blocos, SHA-256 e alvo de dez minutos |
| O que isso comprou | espaço sobrando no bloco e taxa de fração de centavo, sem picos por congestionamento |
| O que isso custou | margem de segurança: o mesmo equipamento serve às duas cadeias e a fatia daqui é pequena |
| Prova prática | dois blocos já foram desfeitos por reorganização, e é isso que a contagem de confirmações mede |
| Emissão | só mineração; não existe staking; próxima redução no bloco 1.050.000 |
| Endereços | duas notações; a antiga tem a mesma aparência de um endereço de Bitcoin, e as corretoras pedem CashAddr |
| Regras | trocadas todo 15 de maio ao meio-dia UTC, com ativação pelo tempo mediano de onze blocos |
1. O mesmo equipamento mina as duas redes, e mudar de rede leva minutos
2. O bloco 478.558 e a única regra que foi alterada ali
3. Onde as duas redes continuam idênticas, item por item
4. De onde saem moedas novas: mineração, e nada de staking
5. Quanto desse equipamento aponta para cá, e o que o ASERT faz com a dificuldade
6. Já aconteceu de a rede descartar dois blocos que estavam publicados
7. Por que a tela de depósito conta confirmações antes de liberar o saldo
8. Espaço sobrando no bloco: como a taxa cai para frações de centavo
9. O limite é 32 MB e o bloco médio não chega perto dele
10. Comprar, sacar e receber: as duas notações de endereço e o erro que elas produzem
11. Todo 15 de maio o software precisa estar atualizado
12. Depois do CashTokens: o que foi ligado e o que isso ainda não prova
13. Do Bitcoin Cash saíram outras duas redes pelo mesmo caminho
14. O que a rede faz, o que não faz e as frases que não se sustentam
15. Cada número que muda com o tempo, com a data em que foi apurado
16. Palavras que você vai ver no saque e no explorador
Duas cadeias usam a mesma função de hash. Uma máquina de mineração que calcula SHA-256 serve às duas sem nenhuma alteração física: muda a configuração do pool e o mesmo equipamento passa a minerar na outra rede. Esse trânsito de máquinas define o ajuste de dificuldade, a margem de segurança, o risco de uma reorganização e o número de confirmações que a tela de depósito de uma corretora conta antes de liberar o seu saldo. O Bitcoin Cash é a cadeia que ficou com a menor fatia desse equipamento depois que o registro se dividiu em 2017, quando um único parâmetro das regras foi alterado: o limite de tamanho do bloco.

1. O mesmo equipamento mina as duas redes, e mudar de rede leva minutos
O equipamento que mina Bitcoin faz uma coisa só. Ele recebe um bloco candidato, aplica o SHA-256 ao cabeçalho bilhões de vezes por segundo e procura um resultado numérico abaixo de um alvo. O equipamento devolve apenas esse resultado. Para qual cadeia o trabalho vai é definido pelo programa que monta o bloco candidato e o entrega à máquina, quase sempre o software de um pool de mineração.
O Bitcoin Cash usa a mesma função de hash. Quando o registro se separou, esse ponto não foi tocado: continuou SHA-256, continuou o mesmo formato de cabeçalho de bloco, continuou a mesma prova de trabalho. Na prática, todo o parque de máquinas montado no mundo para minerar Bitcoin serve, sem nenhuma alteração física, para minerar Bitcoin Cash. Mudar de rede custa o tempo de editar o endereço do pool na configuração.
Isso muda o sentido da palavra segurança aqui. Numa rede cujo hardware é específico, a capacidade instalada tende a ficar onde está, porque não tem para onde ir. O Litecoin saiu do mesmo código do Bitcoin e escolheu outros parâmetros, entre eles outra função de hash e outro intervalo entre blocos, e o equipamento dele forma um mercado à parte; a comparação está em o que é o Litecoin. Entre duas cadeias que compartilham SHA-256 essa separação não existe.
O resultado é que a fatia de poder de cálculo apontada para o Bitcoin Cash não é um número estável. Ela acompanha a receita por unidade de trabalho: recompensa do bloco somada às taxas, comparada com o que a mesma máquina renderia na rede do Bitcoin. Quando minerar aqui compensa mais, parte do hardware vem; quando compensa menos, ele volta. Esse movimento acontece em questão de horas e não depende de ninguém comprar nada novo.
Como o mesmo hardware atende às duas redes, a fatia apontada para o Bitcoin Cash muda sozinha, sem que ninguém precise comprar, instalar ou desligar nada. Isso tem três consequências diretas: o ajuste de dificuldade aqui reage a cada bloco, e não a cada duas semanas; blocos já publicados nesta rede foram desfeitos; e a tela de depósito de uma corretora segura o saldo até somar um número de confirmações.
2. O bloco 478.558 e a única regra que foi alterada ali
Até 1º de agosto de 2017 havia um registro só. O bloco 478.558 é o último bloco comum às duas cadeias. Do bloco seguinte em diante, um grupo de mineradores passou a montar blocos seguindo uma regra diferente, e os dois conjuntos de blocos deixaram de ser aceitos pelo mesmo software. Foi assim que a cadeia se dividiu: não houve votação, nem aprovação, nem transferência de nome. Houve desacordo sobre uma regra e cada lado continuou a validar o que considerava válido.
A regra alterada foi uma. O limite de tamanho do bloco, que valia 1 MB, passou a valer 8 MB do lado que virou Bitcoin Cash. Nada além disso precisou ser mexido para que as redes ficassem incompatíveis: basta que um lado aceite um bloco que o outro recusa para que os dois históricos sigam caminhos separados a partir dali.
Não houve pré-venda, ICO, rodada de investimento nem alocação para fundadores. Também não foram criados saldos novos. Todo o histórico de transações até o bloco 478.558 continuou valendo dos dois lados, com os mesmos valores e os mesmos donos. Quem controlava bitcoin naquele momento passou a controlar a mesma quantidade de BCH, com a mesma chave privada, sem precisar fazer nada.
Herdar o registro tem um sentido técnico preciso. O saldo de uma carteira, nesse tipo de rede, é o conjunto de saídas de transação ainda não gastas que apontam para o seu endereço. Esse conjunto inteiro foi copiado para os dois lados no momento da divisão. Depois disso, cada gasto passou a valer só na rede em que foi registrado, e os dois conjuntos foram se afastando um do outro transação por transação.
O Bitcoin Cash não é uma atualização oficial nem uma versão seguinte do Bitcoin, e as duas redes seguem sem relação oficial entre si. O que elas dividem é o passado do registro, e mais nada. A mesma chave passou a controlar dois saldos em duas redes diferentes, e essa é a raiz estrutural dos envios errados tratados mais adiante, quando o assunto for endereço.
3. Onde as duas redes continuam idênticas, item por item
A lista do que foi alterado tem um item. A lista do que veio junto sem nenhuma mudança é bem maior, e é ela que explica por que o mesmo equipamento atende às duas redes.
Continuou igual: o limite de 21.000.000 de unidades; a queda da recompensa pela metade a cada 210.000 blocos; a função SHA-256 na prova de trabalho; o alvo de dez minutos entre blocos; o modelo de saídas não gastas (UTXO); e a forma de derivar endereços a partir de uma chave. O efeito prático dessa herança é que o ponto do próximo corte pela metade tem a mesma altura de bloco nas duas redes, o 1.050.000, porque a contagem começou no mesmo lugar e a regra é a mesma.
O que é igual e o que é diferente entre as duas redes
| Item | Bitcoin | Bitcoin Cash |
|---|---|---|
| Emissão máxima | 21.000.000 | 21.000.000 (igual) |
| Ciclo de redução da recompensa | 210.000 blocos | 210.000 blocos (igual) |
| Função de hash da prova de trabalho | SHA-256 | SHA-256 (igual) |
| Intervalo alvo entre blocos | dez minutos | dez minutos (igual) |
| Limite de tamanho do bloco | fixo, medido em peso | mínimo garantido de 32 MB, com ajuste automático pela demanda (ABLA) |
| Ajuste de dificuldade | a cada 2.016 blocos | a cada bloco (ASERT) |
| Forma de mudar as regras | mudanças compatíveis, negociadas caso a caso | troca de regras de consenso todo dia 15 de maio, ao meio-dia UTC |
| Notação de endereço | uma | duas: antiga e CashAddr |
Se a base do Bitcoin ainda não estiver clara, ela está explicada em o que é o Bitcoin: registro público, blocos encadeados, prova de trabalho e teto de emissão. Esse trecho inteiro vale para as duas redes, porque as duas o herdaram do mesmo lugar. A diferença começa depois do bloco em que elas se separaram.
As duas redes continuam funcionando e cada uma otimizou uma coisa diferente. O Bitcoin Cash ficou com espaço de bloco sobrando e custo baixo por transferência; o Bitcoin ficou com a maior parte do poder de cálculo e com uma taxa formada por disputa de espaço. O que cada escolha custou está em três medidas: taxa por transação, tamanho médio do bloco e fatia de poder de cálculo.
4. De onde saem moedas novas: mineração, e nada de staking
Moeda nova só aparece de um jeito: na primeira transação de cada bloco, chamada transação coinbase, criada por quem minerou aquele bloco. Não existe emissão por fundação, por votação, por bloqueio de saldo nem por qualquer outro caminho. Quem monta o bloco recebe a recompensa programada mais as taxas das transações que colocou lá dentro.
Não existe staking no Bitcoin Cash. A rede funciona por prova de trabalho, e prova de trabalho não distribui nada para quem apenas guarda a moeda. Se você viu uma corretora oferecendo rendimento em BCH, o que está sendo vendido ali é um produto daquela empresa, com o risco daquela empresa, e não uma função da rede. O mecanismo de bloqueio de saldo em redes que realmente o usam está descrito em o que é staking, e os produtos de rendimento das corretoras estão separados em o que é crypto earn.
A recompensa por bloco cai pela metade a cada 210.000 blocos. O corte é definido por altura: ele acontece quando a contagem de blocos chega ao número, na data em que chegar. O próximo ponto é o bloco 1.050.000, o mesmo número na rede do Bitcoin, e a altura atual de cada rede está na tabela do fim do texto.
Essa regra tem um efeito direto sobre a segurança da rede. O orçamento que paga os mineradores é feito de emissão nova mais taxas. Como a emissão cai pela metade a cada ciclo e as taxas aqui são muito baixas por causa do espaço sobrando no bloco, a parte da receita que vem da emissão pesa bastante. É um ponto de atenção, e a relação é direta: quanto menor o orçamento em relação ao de uma rede que usa a mesma função de hash, menor a fatia de hardware que compensa manter apontada para cá.
O desenho tem mais uma consequência. Como não há emissão para quem guarda, o número de unidades em circulação sobe apenas na velocidade dos blocos, e ninguém pode acelerar isso. O teto é o mesmo nas duas redes, 21.000.000, e a regra de redução também. A diferença está no ritmo: desde a separação os blocos aqui apareceram um pouco mais rápido, e a emissão acumulada ficou um pouco à frente.
5. Quanto desse equipamento aponta para cá, e o que o ASERT faz com a dificuldade
A pergunta é quanto desse poder de cálculo está apontado para cá agora. A medida usada é a taxa de hash, o número estimado de tentativas por segundo que a rede sustenta. Ela é sempre uma estimativa: ninguém consegue contar máquinas, o que se faz é olhar quantos blocos apareceram, com qual dificuldade, e calcular para trás.
A fatia do Bitcoin Cash nesse total é pequena, e o valor medido aparece na última tabela deste texto, com data. O que importa aqui é o que esse valor permite entender: a mesma máquina que gera esse resultado poderia estar minerando Bitcoin, e a decisão de mantê-la aqui é revista o tempo todo por quem opera o pool. Uma rede com hardware exclusivo não tem esse problema; uma rede que compartilha a função de hash com uma rede muito maior tem.
É aí que entra o ajuste de dificuldade. No Bitcoin, o alvo é recalculado a cada 2.016 blocos, o que dá cerca de duas semanas. Esse intervalo funciona quando a capacidade instalada varia pouco. Quando ela pode dobrar ou cair pela metade em um dia, um ajuste quinzenal produz dois problemas alternados: períodos com blocos rápidos demais e períodos em que a rede quase para, porque a dificuldade ficou alta e as máquinas foram embora.
O Bitcoin Cash já usou três respostas diferentes para isso. A primeira foi um ajuste de emergência que reduzia a dificuldade quando os blocos demoravam, e ele acabou incentivando justamente o vaivém que deveria conter. A segunda foi uma janela móvel de 144 blocos, adotada em novembro de 2017. A terceira, em vigor desde a mudança de regras de 15 de novembro de 2020, é o ASERT (aserti3-2d): a dificuldade é recalculada a cada bloco a partir da diferença entre o tempo real decorrido e o tempo que aquele bloco deveria ter levado, de forma suave e sem degraus.
O que o ASERT resolve e o que ele não resolve precisa ficar claro. Ele reduz muito a oscilação do intervalo entre blocos e tira o incentivo de entrar e sair da rede só para aproveitar uma dificuldade defasada. Ele não cria poder de cálculo. A margem de segurança continua sendo o produto de quanto hardware está aqui e de quanto custaria trazer mais hardware para reescrever a ponta da cadeia. E juntar hardware suficiente para reescrever a ponta já aconteceu nesta rede pelo menos uma vez.
6. Já aconteceu de a rede descartar dois blocos que estavam publicados
Reorganização, ou reorg, é o nome do que acontece quando a rede troca a ponta do registro. Dois mineradores podem encontrar blocos válidos quase ao mesmo tempo, e por alguns minutos parte da rede enxerga uma versão e parte enxerga outra. A regra de desempate é objetiva: prevalece a sequência com mais trabalho acumulado. Os blocos da versão perdedora são descartados, e as transações que estavam dentro deles voltam para a fila, se ainda forem válidas.
Isso não é uma hipótese de manual no Bitcoin Cash. Logo depois da mudança de regras de 15 de maio de 2019, dois blocos foram descartados dessa forma. Os blocos que caíram eram de dois mineradores, e a sequência que prevaleceu foi a estendida por dois pools grandes.
A reorganização de dois blocos de maio de 2019
| Item | Registro |
|---|---|
| Quando | logo após a mudança de regras de 15 de maio de 2019 |
| O que aconteceu | dois blocos foram descartados por uma sequência com mais trabalho acumulado |
| Quem | blocos da ProHashing e de um minerador não identificado saíram; a sequência mantida foi a estendida por BTC.top e BTC.com |
| Contexto | fundos em formato Segwit que a mudança daquele dia tornou recuperáveis (bloco 582.705, com 1.278 transações e 3.655 BCH) |
| O que fica | nenhuma confirmação é definitiva; a reversão já foi observada nesta rede |
A reorganização não exigiu falha de software nem invasão. Foi a regra do maior trabalho acumulado funcionando como está escrita, acionada por quem tinha hardware suficiente naquele momento. E hardware suficiente, aqui, significa uma fração do que existe disponível na mesma função de hash, porque as máquinas são as mesmas dos dois lados. Os dois blocos descartados já continham transações publicadas, e elas voltaram para a fila.
Margem de segurança, aqui, é a distância entre o poder de cálculo que sustenta a rede e o poder de cálculo que alguém conseguiria juntar para reescrever a ponta dela, contando com máquinas que já existem e estão apontadas para outra cadeia. Quanto menor essa distância, mais fundo pode ir uma reorganização e mais tempo demora até uma transação ficar razoavelmente firme.

7. Por que a tela de depósito conta confirmações antes de liberar o saldo
Confirmação é a contagem de blocos empilhados sobre o bloco onde a sua transação entrou. Uma confirmação significa que ela entrou em um bloco. Seis confirmações significam que outros cinco blocos foram montados em cima. Cada bloco novo aumenta o trabalho que alguém precisaria refazer para desfazer o que está embaixo.
Não existe número de confirmações que torne a transação irreversível. Nesse tipo de rede não há um instante a partir do qual ela deixa de poder ser desfeita. O que existe é uma probabilidade de reversão que cai a cada bloco e nunca chega a zero. O caso dos dois blocos descartados, descrito na seção anterior, mostra que isso já ocorreu aqui.
É por causa disso que a tela de depósito de uma corretora mostra algo como “aguardando confirmações” com um contador. Enquanto o contador não chega ao número que aquela empresa definiu, o depósito aparece como pendente e o saldo não fica disponível para negociar nem para sacar. O número exigido varia de empresa para empresa e muda com o tempo, então não adianta decorar: quem manda é o que está escrito na tela de depósito da sua conta no momento do envio.
Do lado de quem envia, o efeito é o mesmo em qualquer direção. Ao sacar de uma corretora para a sua carteira, a transação é publicada e a carteira mostra o saldo como não confirmado até que os blocos venham. Ao pagar alguém, quem recebe decide a partir de quantas confirmações considera o pagamento aceito. Valor pequeno costuma ser liberado com pouca espera, valor grande com mais, e essa escolha é de quem assume o risco.
Quando o depósito passa do tempo esperado sem aparecer, olhe primeiro a rota do envio: rede errada, notação de endereço recusada, transação ainda não propagada ou crédito preso do lado da corretora. O passo a passo para separar esses casos está em depósito de cripto não creditado. E a contagem que a corretora exige mede exatamente uma coisa: quanto trabalho alguém teria de refazer para desfazer o seu depósito.
8. Espaço sobrando no bloco: como a taxa cai para frações de centavo
Cada bloco tem um limite de tamanho, e os mineradores escolhem quais transações colocam dentro dele. Quando chegam mais transações do que cabe, quem paga mais por byte entra primeiro e o resto espera. É essa disputa que faz a taxa subir, e o valor sai daí, sem tabela publicada por ninguém.
No Bitcoin Cash a disputa quase não acontece, porque sobra espaço no bloco. Sem fila competindo por lugar, a taxa fica perto do mínimo que os programas da rede aceitam para repassar uma transação, e a conta é feita por tamanho em bytes, não por valor enviado. Mandar o equivalente a alguns reais ou a alguns milhares de reais custa praticamente a mesma coisa, desde que a transação tenha o mesmo tamanho.
O tamanho da transação depende de quantas entradas ela precisa juntar. Uma carteira que recebeu muitos valores pequenos tem muitas saídas não gastas para somar, e uma transação com muitas entradas ocupa mais bytes. Daí vem uma diferença que confunde: dois envios do mesmo valor podem custar taxas diferentes na mesma rede, no mesmo minuto.
A mediana de taxa das duas redes aparece na tabela datada mais abaixo, e a diferença entre elas é grande. Transferir valor nessa rede custa uma fração de centavo, e não há picos de taxa por congestionamento, porque não há congestionamento. Quem já pagou taxa alta para mover uma quantia pequena sabe o que esse número significa na prática.
Esse número também tem um limite de leitura. Taxa baixa não diz nada sobre quanto a moeda vale, sobre demanda futura nem sobre risco. A taxa está baixa porque o espaço não está sendo disputado, e ele não está sendo disputado porque a quantidade de transações por bloco fica muito abaixo do que o limite comporta.
9. O limite é 32 MB e o bloco médio não chega perto dele
Desde a mudança de regras de maio de 2018, o limite de tamanho do bloco no Bitcoin Cash é de 32 MB. Em maio de 2024 entrou o ABLA, um algoritmo que ajusta esse limite automaticamente conforme o tamanho dos blocos que a rede vem produzindo, mantendo 32 MB como piso garantido. Ou seja: o teto acompanha a demanda para cima, e nunca cai abaixo do valor herdado.
O tamanho médio dos blocos recentes está na tabela datada do fim, junto com a contagem de transações por bloco das duas redes. A relação entre esses dois valores é o dado mais direto de toda a comparação: o bloco médio não chega perto do piso do limite. Existe espaço de sobra e ele não está sendo usado.
A pergunta de 2017 era se dava para atender à demanda aumentando o tamanho do bloco. O aumento foi feito, o limite subiu várias vezes e passou a se ajustar sozinho. A demanda que justificaria esse espaço ficou na rede do Bitcoin. O que decidiu esse ponto foi para onde as transações foram, e isso aparece na contagem por bloco das duas redes.
Essa diferença serve para avaliar qualquer rede: limite grande e uso grande são coisas separadas. Um limite alto define o que a rede aceitaria em um pico. O uso define o que ela processa hoje, quanto ela arrecada em taxas e, por consequência, quanto de orçamento existe para pagar mineradores. As duas coisas costumam ser apresentadas juntas em material de divulgação, e elas não são a mesma medida.
Existe um lado positivo real nesse quadro, e ele já apareceu na seção anterior: com espaço sobrando, a taxa não sobe por disputa e o custo de transferir se mantém previsível independentemente do movimento do dia. Existe também um lado de atenção: um bloco vazio arrecada pouco, e a arrecadação de taxas é a parte do orçamento de segurança que não cai pela metade a cada 210.000 blocos.
10. Comprar, sacar e receber: as duas notações de endereço e o erro que elas produzem
Na prática, a maior parte das pessoas encontra o BCH primeiro na tela de uma corretora global, em português, ao lado dos outros pares à vista. O caminho costuma ser este: criar conta e concluir a verificação de identidade, depositar em real ou trazer uma stablecoin, comprar BCH no par à vista e depois decidir se o saldo fica na corretora ou vai para uma carteira própria. A diferença entre essas duas escolhas está em carteira de criptomoedas, e o passo a passo geral de compra, que é o mesmo para qualquer moeda dessa família, está em como comprar Bitcoin.
O ponto específico do BCH aparece na hora de sacar. Essa rede tem duas notações de endereço para a mesma coisa, e colar a errada no campo termina em saque recusado pela plataforma ou em valor enviado para a rede que não era.
Binance
Bybit
Gate.io
KuCoin
Aviso de afiliados: alguns links são de parceiros. Podemos receber uma comissão sem custo extra para você. Isto não é recomendação de investimento.
Quais pares aparecem para você depende da plataforma e da sua região, então confirme na sua própria tela antes de transferir qualquer valor. Uma comparação geral de plataformas está em melhores corretoras de criptomoedas.
A notação antiga começa com 1 ou com 3 e tem a mesma aparência de um endereço de Bitcoin. As duas redes derivam endereços a partir da chave do mesmo jeito, então a mesma chave produz a mesma sequência de caracteres nas duas, e um endereço que já existia antes da divisão aparece igual em qualquer uma delas.
A notação CashAddr foi criada em janeiro de 2018 justamente para acabar com essa confusão. Ela usa o prefixo bitcoincash: seguido de um corpo que começa com q ou com p, e algumas carteiras mostram o prefixo enquanto outras exibem só o corpo. As duas notações descrevem o mesmo endereço e podem ser convertidas uma na outra, mas na tela elas não se parecem em nada, e é essa diferença que evita colar o endereço errado.
A maior parte das corretoras aceita apenas CashAddr no depósito de BCH e recusa a notação antiga no campo. Cada empresa define isso por conta própria e pode mudar, então trate isso como uma checagem de tela: copie sempre o endereço que a própria plataforma gerou para BCH, na aba de depósito de BCH, e confira o prefixo antes de confirmar.
Uma sequência simples reduz quase todo o risco: abra a aba de depósito da moeda certa, copie o endereço inteiro daquela tela, cole no campo de saque, confira os primeiros e os últimos caracteres, confira se a rede selecionada é a mesma nas duas pontas e faça um envio de teste com valor pequeno quando o total for relevante. Depois de o teste chegar, mande o resto.
As duas notações de endereço e o que muda na prática
| Notação | Como aparece | De onde vem | Nas corretoras |
|---|---|---|---|
| Antiga | começa com 1 ou 3 | mesma aparência de um endereço de Bitcoin, porque a derivação é a mesma | em geral recusada no depósito de BCH |
| CashAddr | prefixo bitcoincash: e corpo iniciado por q ou p | adotada em janeiro de 2018; o prefixo nem sempre é exibido pela carteira | é a notação pedida no campo de depósito |
11. Todo 15 de maio o software precisa estar atualizado
Esta rede troca regras de consenso em uma data fixa por ano. Hoje essa troca acontece todo 15 de maio, ao meio-dia UTC; algumas ativações mais antigas usaram a janela de novembro, pelo mesmo mecanismo. É o procedimento adotado para introduzir alterações que não são compatíveis com a versão anterior.
A ativação em si não olha para o relógio de um computador. Ela usa o tempo mediano dos onze últimos blocos: quando esse valor passa do carimbo de tempo definido para aquela mudança, as novas regras entram em vigor. A mediana é usada porque o carimbo de tempo de um bloco isolado pode ser manipulado dentro de uma folga, e a mediana de onze blocos tira esse jogo de quem minera.
A consequência prática vale para quem opera um nó e para quem usa uma carteira própria: quem não atualiza o software antes da ativação continua validando pelas regras antigas e deixa de acompanhar a cadeia que o resto da rede segue. Saldo em corretora fica com a corretora resolvendo isso, saldo em carteira própria depende de você. É uma manutenção anual, e a data dela é conhecida com antecedência.
Regras que já foram ativadas nas mudanças anuais
| Ativação | O que passou a valer |
|---|---|
| 15 de maio de 2018 | reativação de operadores desativados; limite de bloco de 32 MB |
| 15 de maio de 2019 | assinaturas Schnorr; recuperação de fundos em formato Segwit |
| 15 de novembro de 2020 | ajuste de dificuldade ASERT (aserti3-2d) |
| 15 de maio de 2023 | CashTokens; P2SH32. |
| 15 de maio de 2024 | limite de bloco adaptativo (ABLA). |
| 15 de maio de 2025 | limites da máquina virtual; aritmética de inteiros de alta precisão |
| 15 de maio de 2026 | Pay to Script; repetição limitada; definição e chamada de funções; reativação de operações bit a bit |
Só o que já foi ativado conta como característica da rede. Uma proposta passa por discussão pública antes de entrar em uma das trocas anuais, e nesse intervalo ela já costuma aparecer em material de divulgação sem que os nós aceitem nada de novo por causa dela. Para saber o que vale hoje, o que serve é a lista do que foi ativado.

12. Depois do CashTokens: o que foi ligado e o que isso ainda não prova
Uma frase circula como resumo desta rede: seria a versão de pagamentos do Bitcoin. Ela descreve bem a intenção da divisão de 2017 e descreve pela metade o que a rede é hoje, porque a direção do trabalho mudou depois que ficou claro que o espaço extra no bloco não seria preenchido.
O que foi ativado desde 2023 muda a linguagem de script, ou seja, aquilo que uma transação consegue exigir para ser gasta. Os CashTokens permitem criar e movimentar tokens próprios diretamente sobre o modelo de saídas não gastas, sem contrato à parte e sem uma camada nova. O P2SH32 aumentou o tamanho do hash usado nos endereços de script. Depois vieram limites revistos da máquina virtual e aritmética de inteiros de alta precisão, e em seguida a possibilidade de repetir operações dentro de um limite fechado, definir funções e reutilizá-las, e usar novamente operações bit a bit.
Traduzindo para o que isso permite: um script pode expressar condições mais longas e mais complexas do que expressava antes, dentro de limites que continuam fechados por regra para não travar a validação. É uma direção diferente da que a rede seguia quando o assunto era só tamanho de bloco.
Agora a parte que costuma ser omitida quando alguém lista esses recursos: estar ativado e estar sendo usado são coisas separadas. Uma regra ativada significa que os nós aceitam transações daquele tipo. Ela não significa que existe volume, produtos rodando ou pessoas dependendo daquilo. O número que mede uso é o de transações por bloco, e ele está na última tabela.
Os dois exageros aparecem com frequência. Dizer que a rede virou uma plataforma de contratos porque as regras foram ativadas é adiantar um resultado que os números ainda não mostram. Dizer que nada mudou desde 2017 também está errado, porque a capacidade da linguagem de script hoje é claramente maior do que a herdada. O que se pode afirmar com segurança é o que está ligado, e foi isso que a tabela da seção anterior listou.
13. Do Bitcoin Cash saíram outras duas redes pelo mesmo caminho
Quando uma rede resolve um desacordo sobre regras separando a cadeia, ela cria um precedente: da próxima vez que não houver acordo, o mesmo caminho está disponível. Foi o que aconteceu duas vezes depois de 2017, e as duas vezes seguiram o mesmo formato da primeira.
Em novembro de 2018 o desacordo foi sobre a inclusão de um operador novo de script, e o lado que discordava passou a manter a própria cadeia, que virou o Bitcoin SV. Em novembro de 2020 o desacordo foi sobre uma proposta de destinar 8% da recompensa dos blocos ao financiamento de desenvolvimento, e a separação aconteceu no bloco 661.648; esse lado é o que hoje se chama eCash, com conversão de 1 BCH para 1.000.000 XEC.
O que resultou de mudar regras separando a cadeia
| Momento | O que aconteceu | Ponto em desacordo |
|---|---|---|
| 1º de agosto de 2017 · bloco 478.558 | separação a partir do Bitcoin | limite de bloco de 1 MB para 8 MB |
| 15 de novembro de 2018 | separação do Bitcoin SV | inclusão do operador OP_CHECKDATASIG |
| 15 de novembro de 2020 · bloco 661.648 | separação do eCash (XEC) | destinar 8% da recompensa ao desenvolvimento; conversão de 1 BCH para 1.000.000 XEC |
As três separações têm o mesmo mecanismo por trás: em uma rede onde a forma aceita de resolver desacordo é separar a cadeia, a separação volta a acontecer sempre que o desacordo for grande o bastante.
Para quem tem saldo, o efeito é conhecido. Quem controlava as moedas no momento de cada separação passou a controlar saldos nas duas redes resultantes, com a mesma chave. Cada corretora define por conta própria como trata o saldo dos clientes nesses eventos e o que faz com a moeda nova, e essa decisão aparece nos avisos da própria plataforma.
Há ainda o efeito sobre o poder de cálculo. Cada separação divide a atenção dos mineradores entre mais uma cadeia que usa a mesma função de hash, e a fatia de cada uma fica menor do que era antes. É a mesma mobilidade descrita na primeira seção, agora aplicada a três destinos em vez de dois.
14. O que a rede faz, o que não faz e as frases que não se sustentam
Com os números já apresentados, dá para listar o que essa rede entrega e o que ela não entrega.
O que a rede faz
- move valor com taxa de fração de centavo
- mantém espaço sobrando no bloco, sem picos de taxa por congestionamento
- trata tokens próprios sobre o modelo de saídas não gastas
- permite condições de gasto escritas em script, com a capacidade ampliada nas últimas mudanças anuais
O que a rede não faz
- não paga rendimento a quem guarda: não existe staking
- não garante valor nem estabilidade de preço
- não é versão seguinte do Bitcoin, e não há relação oficial entre as duas
- não esconde transações: tudo fica no registro público
O último item precisa de mais uma frase, porque a confusão é comum. O BCH não é anônimo. O valor, o endereço de origem e o endereço de destino de cada transação ficam gravados no registro e podem ser consultados por qualquer pessoa, para sempre. Endereços reutilizados ligam transações entre si com facilidade. Redes desenhadas para esconder valores e participantes funcionam de outro jeito, e o contraste está em o que é o Monero.
Frases comuns e o que se verifica na rede
| O que se costuma ouvir | O que os fatos mostram |
|---|---|
| “É a atualização oficial que veio depois do Bitcoin” | não é: as duas cadeias saíram do mesmo registro e seguem sem relação oficial entre si |
| “Custa menos que o Bitcoin, então tem mais espaço para subir” | isso mistura preço com taxa; o barato aqui é a taxa, e o teto de emissão e o ciclo de redução são os mesmos |
| “O bloco é maior, então a rede é mais usada” | o piso do limite é 32 MB e o bloco médio fica muito abaixo disso; limite grande e uso grande são medidas diferentes |
| “A prova de trabalho é a mesma, então a segurança é a mesma” | a fatia de poder de cálculo apontada para cá é pequena e o mesmo equipamento circula entre as cadeias |
| “Serve para pagamento, então é anônimo” | todas as transações ficam no registro público, com valores e endereços à vista |
| “Dá para bloquear o saldo e receber juros” | a rede não tem esse mecanismo; rendimento oferecido por corretora é produto da empresa |
| “O algoritmo de mineração é outro” | é o mesmo SHA-256, e por isso as mesmas máquinas atendem às duas redes |
Nenhuma dessas correções recomenda nem desaconselha a moeda. Elas recolocam a conversa nos fatos verificáveis: o que foi alterado, o que foi herdado, o que isso rendeu e o que custou.
15. Cada número que muda com o tempo, com a data em que foi apurado
Todos os números que mudam com o tempo estão reunidos aqui, com data de apuração. Fora desta tabela, o texto usa apenas valores fixados por regra, que não dependem de data: o teto de 21.000.000, o ciclo de 210.000 blocos, a função SHA-256, o alvo de dez minutos entre blocos e o piso de 32 MB no limite de tamanho.
Números da rede em 22 de agosto de 2026 (consulta direta ao Blockchair)
| Item | Bitcoin Cash | Comparação |
|---|---|---|
| Altura do bloco | 965.119 | Bitcoin: 963.487 |
| Blocos por dia | 165 | Bitcoin: 136 |
| Transações por dia | 17.681 | Bitcoin: 536.199 |
| Transações por bloco | cerca de 107 | Bitcoin: cerca de 3.942 |
| Tamanho médio dos blocos recentes | cerca de 77,7 KB (máximo de 275 KB, mínimo de 2,8 KB) | piso do limite: 32 MB |
| Mediana da taxa por transação | cerca de US$ 0,0011 | Bitcoin: cerca de US$ 0,2478 |
| Taxa de hash | cerca de 3,79 EH/s | Bitcoin: cerca de 862 EH/s (cerca de 0,44%) |
| Unidades em circulação | cerca de 20.078.734 | Bitcoin: cerca de 20.073.368; teto de 21.000.000 nas duas |
| Próxima redução da recompensa | bloco 1.050.000 | mesma altura no Bitcoin |
A altura do bloco do Bitcoin Cash está à frente, e a quantidade de unidades em circulação também, mesmo com teto e ciclo idênticos. O motivo é o ritmo: desde a separação, os blocos aqui foram encontrados um pouco mais rápido, o que empurra a contagem para a frente. Como a redução da recompensa é definida por altura de bloco, essa rede chega ao ponto do corte antes da outra.
A relação entre tamanho médio do bloco e piso do limite mostra em números o que a seção sobre espaço no bloco descreveu em palavras. E a linha da mediana de taxa mostra o efeito direto disso: sem disputa por espaço, a taxa fica perto do mínimo aceito para repassar a transação.
Por fim, uma observação sobre a natureza desses dados. Altura de bloco, transações por dia e taxa de hash são medidas de um instante e vão estar diferentes quando você ler. O que não muda é a relação entre elas: uma rede com muito espaço disponível, uso pequeno em relação a esse espaço, taxa baixa por falta de disputa e uma fatia menor de poder de cálculo protegendo a ponta do registro.
16. Palavras que você vai ver no saque e no explorador
Estes são os termos que aparecem em qualquer tela, explorador de blocos ou aviso de carteira relacionado a BCH. Leia uma vez antes de mexer em valores.
Bifurcação (hard fork)
Mudança de regra que faz blocos válidos pela regra nova serem recusados pela regra antiga. Quando parte da rede não adota a mudança, as duas versões seguem separadas a partir daquele bloco. Foi assim que o Bitcoin Cash começou, e foi assim que o Bitcoin SV e o eCash se separaram depois.
Reorganização (reorg)
Troca da ponta do registro quando aparece uma sequência com mais trabalho acumulado. Os blocos descartados perdem validade e as transações que estavam neles voltam para a fila. É por isso que ninguém trata uma única confirmação como resultado definitivo.
Confirmação
Cada bloco empilhado sobre o bloco em que a transação entrou. Quanto mais confirmações, maior o trabalho necessário para desfazer aquilo, e menor a chance de reversão. Corretoras definem por conta própria quantas exigem antes de liberar um depósito.
UTXO (saída de transação não gasta)
Unidade de saldo nesse modelo de registro. Sua carteira não guarda um número: ela guarda um conjunto de saídas recebidas e ainda não gastas. Gastar significa consumir algumas dessas saídas e criar outras, e é por isso que o tamanho de uma transação depende de quantas entradas ela precisa juntar.
CashAddr
Notação de endereço adotada no Bitcoin Cash em janeiro de 2018, com prefixo bitcoincash: e corpo iniciado por q ou p. Existe para não ser confundida com a notação antiga, que tem a mesma aparência de um endereço de Bitcoin. As duas descrevem o mesmo endereço e são conversíveis entre si.
Taxa de hash (hashrate)
Estimativa de quantas tentativas por segundo a rede sustenta. É calculada a partir de quantos blocos apareceram e com qual dificuldade, e serve para comparar a fatia de poder de cálculo apontada para cada cadeia que usa a mesma função.
Ajuste de dificuldade
Mecanismo que muda o alvo da prova de trabalho para manter o intervalo médio entre blocos perto de dez minutos. No Bitcoin Cash o ajuste é feito a cada bloco pelo ASERT (aserti3-2d), desenhado para reduzir a oscilação causada pela entrada e saída de máquinas.
Transação coinbase
Primeira transação de cada bloco, criada por quem minerou. É a única forma de emissão de moeda nova na rede e paga a recompensa programada mais as taxas das transações incluídas naquele bloco.
CashTokens
Conjunto de regras ativado em maio de 2023 que permite criar e movimentar tokens próprios diretamente sobre o modelo de saídas não gastas, sem camada externa. Estar ativado não é o mesmo que estar em uso; o uso se mede pelas transações registradas.








