Carteira do Satoshi | Os primeiros 50 BTC que ninguém pode gastar | Por que nunca saiu nada | A mensagem do bloco gênesis
O endereço 1A1zP1… recebeu os primeiros bitcoins da história. Abri o registro dele e contei o que entrou e o que saiu.
A tal carteira do Satoshi é, na prática, um endereço só: 1A1zP1… Foi ele que recebeu os primeiros bitcoins da história, no bloco gravado em 3 de janeiro de 2009.
Os primeiros 50 bitcoins desse endereço não podem ser gastos por ninguém. É uma regra do próprio programa. Tudo que chegou depois poderia ser gasto por quem tem a chave. Nunca foi.
Abri o registro e contei cada depósito. A maioria é de valor mínimo e veio junto com tokens. O dinheiro de verdade veio de poucos envios grandes.
Uma manchete de jornal dentro do bloco zero
Os dias até o segundo bloco
Os 50 bitcoins que ninguém pode gastar
O primeiro depósito, 860 dias depois
58 minutos numa sexta-feira de janeiro
Os depósitos de 546 satoshis
Quanto dá em reais, e o que fica para você
Toda vez que sai a notícia de que a carteira do Satoshi foi movimentada, o primeiro endereço a conferir é este: 1A1zP1eP5QGefi2DMPTfTL5SLmv7DivfNa. Ele recebeu os primeiros bitcoins da história, no bloco zero.
Eu abri o registro desse endereço inteiro. Até o bloco 968.475 chegaram lá 79.687 depósitos. Saída, nenhuma. E os primeiros 50 bitcoins ligados a ele nem podem sair.

Uma manchete de jornal dentro do bloco zero
O primeiro bloco do bitcoin tem a data de 3 de janeiro de 2009. O horário gravado nele é 18:15:05, no fuso UTC. Ele é chamado de bloco gênese, ou bloco zero.
Um bloco é um pacote de transações gravado no registro público do bitcoin. Cada bloco novo carrega uma referência ao bloco anterior. É assim que eles ficam em ordem, um depois do outro. O bloco zero é o único que não aponta para nenhum outro. Antes dele não existe nada.
Abri esse bloco num explorador de blocos. É um site que mostra o registro público para qualquer pessoa, sem cadastro e sem precisar ter moeda. O bloco zero está aqui. O bloco inteiro tem 285 bytes.
Lá dentro existe uma única transação. Ela cria os primeiros 50 bitcoins. A transação que cria moedas novas num bloco se chama coinbase. O nome não tem nada a ver com a corretora americana. Ela tem um campo livre, onde quem monta o bloco escreve o que quiser.
Na tela esse campo aparece em hexadecimal. É uma fileira de letras e números que começa assim: 04ffff001d010445. A transação está aqui para quem quiser conferir. Cada par de caracteres corresponde a um byte. Os primeiros bytes são técnicos e não formam texto.
Logo depois vem 5468652054696d6573. Fui convertendo par por par numa tabela de caracteres. 54 é T. 68 é h. 65 é e. Com mais alguns pares aparece «The Times».
Segui até o fim do campo. A frase inteira é esta:
The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks
É a manchete de capa do jornal britânico The Times daquele dia. Traduzindo, diz que o ministro das Finanças está à beira de um segundo socorro aos bancos. A crise financeira tinha estourado poucos meses antes.
Há quem leia a frase como recado político. Pode ser. O que ela prova com certeza é uma coisa menor.
O horário de um bloco é um número que quem monta o bloco escreve. Ele não prova a hora exata. Então o 18:15 gravado ali não garante que o bloco foi feito naquela tarde. A manchete garante outra coisa. O bloco não pode ter sido montado antes de aquele jornal existir.
Tem mais um detalhe. Todo bloco tem um hash, que é um código calculado a partir do conteúdo inteiro do bloco. Se uma letra muda, o hash muda inteiro. Para um bloco valer, o hash precisa começar com uma certa quantidade de zeros.
O hash do bloco zero começa assim: 000000000019d6689c08. São 10 zeros na frente. A regra da época pedia 8. Por que ele saiu com zeros de sobra, o registro não conta. Pode ter sido sorte no cálculo.
Os 50 bitcoins dessa transação foram presos a uma chave. Dessa chave sai o endereço 1A1zP1… que hoje todo mundo chama de carteira do Satoshi.
Os dias até o segundo bloco
Depois do bloco zero, o registro fica parado. O bloco 1 só aparece em 9 de janeiro, às 02:54 UTC.
Fiz a conta com os dois horários gravados. Entre um e outro passaram 5 dias, 8 horas e 39 minutos.
Muita matéria por aí diz que foram seis dias. Pelos horários gravados, ainda faltam 15 horas e 21 minutos para completar seis.
Vale o mesmo cuidado de antes. Esses horários também foram escritos por quem montou os blocos. A conta mede a distância entre dois números gravados. Não mede com certeza o tempo real.
O que aconteceu nesses dias está fora do registro. Uma coisa ficou documentada em outro lugar. Em 8 de janeiro, às 14:27 no horário da costa leste dos Estados Unidos, saiu um e-mail numa lista de discussão sobre criptografia. Em UTC eram 19:27.
O e-mail anunciava a primeira versão do programa. O assunto era «Bitcoin v0.1 released». Quem assinava era Satoshi Nakamoto, um pseudônimo. A pessoa ou o grupo por trás dele nunca foi identificado.
Li a cópia guardada no arquivo da própria lista. O e-mail está aqui, aberto para qualquer um.
O texto é curto e prático. Diz que aquela é a primeira versão pública. Diz que por enquanto só roda no Windows. Diz que o código-fonte vai junto, para quem quiser ler.
Uma parte explica como mandar moedas. Havia duas formas. Na primeira você digitava o endereço IP de outra pessoa. O seu programa se conectava ao dela e recebia uma chave nova para pagar.
Na segunda você usava um endereço bitcoin. Ele funciona mesmo com a outra pessoa desconectada. O endereço é um resumo da chave, calculado a partir dela.
Logo em seguida vem um aviso curto. Usar o mesmo endereço muitas vezes faz perder um pouco de privacidade. É uma linha no meio do e-mail.
Essas duas formas de pagar existem até hoje dentro do registro. Elas explicam por que dois sites mostram saldos diferentes para o endereço gênese.
O bloco 1 aparece 7 horas e 26 minutos depois do e-mail. A ordem é essa. Primeiro o anúncio público, depois o segundo bloco.
Ninguém sabe o que aconteceu nos dias do meio. Não há registro público disso, então não vou inventar.
Os 50 bitcoins que ninguém pode gastar
Quando alguém fala em carteira do Satoshi, quase sempre é deste endereço: 1A1zP1eP5QGefi2DMPTfTL5SLmv7DivfNa. Ele aparece em qualquer explorador de blocos. Muita gente já mandou moedas para lá.
Um endereço é o texto que você passa para alguém te mandar bitcoin. Ele é calculado a partir de uma chave pública. A chave pública é um número longo que pode ser mostrado para qualquer um. Quem guarda a chave privada correspondente é quem consegue gastar.
Aqui começa o detalhe que confunde. Os 50 bitcoins do bloco zero não foram pagos ao endereço. Foram presos direto na chave pública, o número inteiro. É a primeira forma de pagamento do e-mail. O endereço 1A1zP1… é o resumo dessa mesma chave.
E esses 50 não podem ser gastos. Mesmo quem tiver a chave privada não consegue. O código do Bitcoin Core pula o bloco zero quando monta a lista de moedas que podem ser gastas.
O comentário está no código até hoje, em inglês: «its coinbase is unspendable». Quer dizer que a coinbase dele não pode ser gasta.
Foi de propósito? Foi descuido? Procurei e não achei nenhum registro que responda. Então fica assim. As primeiras moedas estão travadas pela regra do programa. Se era essa a intenção, ninguém sabe.
Depois fui ver o saldo. Abri a página do endereço e anotei o total. Em seguida abri outro explorador para conferir. O número era outro. A diferença passava de 50 bitcoins.
Achei que tinha lido errado. Então consultei o mesmo endereço em 9 fontes diferentes. Foram 2 exploradores públicos e 7 servidores Electrum. Servidor Electrum é o tipo de servidor que as carteiras usam para ler saldos.
As 9 fontes deram o mesmo total. No bloco 968.475, o endereço tinha 57,47547771 BTC.
Alguns exploradores conhecidos mostram outro número: 107,48586302 BTC. A diferença é de 50,01038531 BTC. Quase tudo isso são os 50 do bloco zero.
A explicação está naquele e-mail do lançamento. Esses sites somam duas coisas. Somam o que foi pago ao endereço e somam o que foi pago direto à chave pública. Outros sites contam só o endereço. Nenhum dos dois está errado. Eles contam coisas diferentes.
Sobra um pedaço que eu não consegui explicar. Tirando os 50, a diferença ainda tem uns 0,0104 BTC. Não consegui confirmar de onde vem esse resto. Por isso não afirmo nada sobre ele.
Agora a resposta para quem chegou aqui perguntando se a carteira do Satoshi foi movimentada. Pedi a um servidor a lista de tudo que já entrou nesse endereço. São 79.687 depósitos até o bloco 968.475. Chegaram em 66.571 transações diferentes.
Depois procurei qualquer gasto. Não encontrei nenhum. Desse endereço nunca saiu nada.
Um satoshi, com letra minúscula, é a menor unidade do bitcoin. Um bitcoin tem cem milhões deles. Na hora da minha consulta havia mais 5 depósitos esperando confirmação, com 5.915 satoshis ao todo. Eles não entram no total acima.
Uma diferença importa aqui. Os depósitos que chegaram depois do bloco zero foram pagos ao endereço comum. Quem tem a chave privada poderia gastar essas moedas. Até o bloco 968.475, ninguém gastou.

O primeiro depósito, 860 dias depois
Por mais de dois anos, ninguém mandou nada para esse endereço. Contei os dias entre o bloco zero e o primeiro depósito. Deram 860.
O primeiro depósito chegou em 13 de maio de 2011, às 21:04 UTC. Entrou no bloco 123.723. Eram 0,01 BTC. A transação continua no registro.
Nessa época o bitcoin já tinha sido usado para comprar coisas. Um ano antes, alguém tinha pagado duas pizzas com dez mil bitcoins. Contei essa história a partir da própria transação. Enquanto isso, o endereço gênese seguia sem nenhum depósito.
Em 28 de maio chegou outro depósito do mesmo valor. Aí chegou o dia 1º de junho de 2011. Às 05:50 UTC o endereço recebeu 1 satoshi, no bloco 127.909. Um só.
Às 10:32 chegaram mais três depósitos no bloco 127.943: 222.222, 333.333 e 444.444 satoshis. Abri as quatro transações e elas estão ligadas. O troco de cada uma foi usado para pagar a seguinte, do 1 satoshi até os 444.444.
Somando os quatro, dá exatamente 1.000.000 satoshis. Isso é 0,01 BTC. A transação do 1 satoshi pagou 1.000.000 satoshis de taxa. Quem montou essa sequência e por quê, o registro não mostra.
Um ano depois apareceu um valor com os dígitos em sequência: 1,23456 BTC, em 12 de junho de 2012. Também não sei quem mandou.
Estes são os 10 primeiros depósitos, na ordem em que chegaram.
| Data | Satoshis | BTC |
|---|---|---|
| 13/05/2011 | 1.000.000 | 0,01 |
| 28/05/2011 | 1.000.000 | 0,01 |
| 01/06/2011 | 1 | 0,00000001 |
| 01/06/2011 | 222.222 | 0,00222222 |
| 01/06/2011 | 333.333 | 0,00333333 |
| 01/06/2011 | 444.444 | 0,00444444 |
| 04/06/2011 | 500.000 | 0,005 |
| 04/06/2011 | 500.000 | 0,005 |
| 17/06/2011 | 1.000.000 | 0,01 |
| 06/07/2011 | 6.660.000 | 0,0666 |
Olhando a lista, o padrão é claro. São valores redondos ou montados de propósito.
Nenhum desses valores saiu do endereço. Estão lá até hoje, somados a todo o resto.
Durante anos o ritmo foi esse. Alguns depósitos por ano, com valores pequenos ou curiosos. Tem um dado que mostra o costume. Desde 2014, todo ano chega pelo menos um depósito no dia 3 de janeiro, a data do bloco zero. Em 2025 foram 41 nesse dia.
58 minutos numa sexta-feira de janeiro
Por muitos anos o saldo do endereço subiu devagar. Aí veio uma sexta-feira de janeiro.
Em 5 de janeiro de 2024, às 18:02 UTC, um endereço que começa com bc1q9z82 recebeu moedas. Eram um pouco mais de 26,9 bitcoins.
Às 19:00, 58 minutos depois, esse endereço mandou tudo para o endereço gênese. Foram 26,91679286 BTC numa transação só. Ela está aqui.
O formato da transação chama atenção. Ela tem 1 entrada e 1 saída. Não tem troco. Quem montou pegou o que tinha chegado, pagou a taxa e mandou o resto inteiro.
A taxa foi de 27.753 satoshis. Parece pouco para um envio desse tamanho. É que a taxa da rede não depende do valor. Ela depende do espaço que a transação ocupa no bloco, e uma transação com uma entrada e uma saída é pequena.
Esse único depósito é 46,8% de tudo que o endereço acumulou. Quase metade do saldo veio de um envio feito numa sexta-feira de janeiro de 2024.
A história tem mais um pedaço. Depois disso, o endereço que mandou também passou a receber. Chegaram lá 9 depósitos pequenos, somando 341.448 satoshis.
Quem mandou os 26,9 bitcoins? Por quê? Procurei qualquer pista no registro e não achei. O registro guarda valores e endereços. Não guarda motivo.
Não sei quem foi. Não sei por quê. Não vou chutar.
Uma coisa dá para afirmar. Quem mandou abriu mão dessas moedas. Daquele minuto em diante, só a chave privada do endereço gênese pode mexer nelas. Até o bloco 968.475, essa chave não mexeu.
Um depósito desse tamanho faz o saldo subir de uma vez, e quem olha só o saldo pode achar que a carteira se mexeu. Foi o contrário. Alguém mandou dinheiro para lá, e nada saiu.

Os depósitos de 546 satoshis
Quando a gente conta os depósitos um por um, aparece outra coisa.
Exatamente 82,1% dos depósitos têm 546 satoshis. São 65.404 depósitos iguais.
Em valor, isso é quase nada. Somados, eles dão 0,35710584 BTC. É 0,62% do saldo do endereço.
Por que 546? Não é um número escolhido por gosto. É o menor valor que a rede repassa por padrão para um endereço do tipo antigo. Esses endereços começam com 1, igual ao endereço gênese.
Abaixo disso, o Bitcoin Core trata o valor como poeira e não repassa a transação. Poeira é o nome dado a valores pequenos demais para valer o custo de gastar. O comentário no código diz «546 satoshis at the default rate». Ou seja, 546 satoshis na taxa padrão.
Antes de 2023, depósitos de 546 eram raros aqui. Foram 15 ao todo. Em 2023 vieram 2.050. Em 2024 vieram 35.265.
O ano de 2024 sozinho trouxe 52,0% de todos os depósitos que o endereço já recebeu.
Eu quis saber de onde vinham esses depósitos. Não dava para abrir milhares de transações uma por uma. Então sorteei 400 depósitos ao acaso.
Usei a semente 20260925 no sorteio. Com ela, outra pessoa pode repetir o sorteio e chegar nos mesmos 400.
Dos 400 depósitos sorteados, 314 vieram de endereços que começam com bc1p. É 78,5% da amostra.
Endereços bc1p são do formato Taproot, o tipo mais novo de endereço do bitcoin. Na amostra, nenhum depósito anterior a 2023 veio desse formato.
Em 88 depósitos da amostra a transação levava uma marca extra. É 22% do total sorteado. A marca é um campo que começa com OP_RETURN OP_13.
Esse começo é a assinatura do protocolo Runes. Runes é um jeito de criar e transferir tokens em cima do bitcoin. A especificação descreve essa marca. Outras 10 transações da amostra carregavam dados de outro tipo.
Pelo formato, boa parte desses depósitos de 546 veio junto com operações de tokens. Por que escolhem justo este endereço como destino, a transação não diz. Não encontrei resposta.
Um dos depósitos sorteados trazia outra coisa. Em 25 de outubro de 2025 alguém gravou uma imagem inteira dentro da transação. São 42.681 bytes.
A imagem mostra o palpite de alguém sobre quem seria o Satoshi. Não vou repetir o nome. Nenhum palpite desse tipo foi comprovado.
Agora conte pelo valor. Só 13 depósitos passaram de um bitcoin. Juntos eles somam 48,5847773 BTC. Isso é 84,5% de tudo que está no endereço.
Então o mesmo endereço mostra duas coisas. Pelo número de depósitos, é quase tudo marca de token. Pelo valor, é um punhado de envios grandes. As duas leituras estão certas.
A contagem abaixo vai até o bloco 968.475. O último ano da tabela ainda estava em andamento quando fiz a consulta.
| Ano | Depósitos | BTC | Depósitos de 546 satoshis |
|---|---|---|---|
| 2011 | 19 | 0,9627 | 0 |
| 2012 | 54 | 7,0185 | 0 |
| 2013 | 793 | 6,934 | 0 |
| 2014 | 82 | 0,4661 | 0 |
| 2015 | 55 | 0,7826 | 0 |
| 2016 | 68 | 0,3704 | 0 |
| 2017 | 76 | 0,1997 | 2 |
| 2018 | 334 | 0,1678 | 1 |
| 2019 | 424 | 1,2236 | 3 |
| 2020 | 792 | 0,2211 | 3 |
| 2021 | 481 | 0,1715 | 2 |
| 2022 | 444 | 0,0377 | 4 |
| 2023 | 2.999 | 4,1774 | 2.050 |
| 2024 | 41.437 | 27,5601 | 35.265 |
| 2025 | 19.230 | 4,1707 | 16.239 |
| 2026 | 12.399 | 3,0117 | 11.835 |
Dá para ver a virada na última coluna. Até 2022 ela quase não se mexe. A partir de 2023, os depósitos de 546 passam a ser a maior parte de cada ano.
Quanto dá em reais, e o que fica para você
Tudo o que veio antes está gravado e não muda. Os valores em reais abaixo mudam a cada minuto. Eles valem só para o momento em que eu conferi.
Consultei o preço às 04:22 UTC de 25 de setembro de 2026. Naquele momento um bitcoin valia R$ 438.074.
O preço em reais veio direto do par BTC/BRL da Binance. Não passei por cotação em dólar. Fiz a coleta duas vezes, e a diferença entre as duas foi de 0,029%.
| O quê | BTC | Em reais na hora da consulta |
|---|---|---|
| Tudo que o endereço mostra (bloco 968.475) | 57,47547771 | R$ 25.178.484 |
| Os 50 do bloco zero, que não podem ser gastos | 50 | R$ 21.903.675 |
| O maior depósito, de 5 de janeiro de 2024 | 26,91679286 | R$ 11.791.534 |
O saldo do endereço dava uns 25,2 milhões de reais. A segunda linha pede um cuidado. Os 50 do bloco zero ficam fora do total que a maioria dos sites mostra. O valor em reais deles é só uma conta. Esse dinheiro não pode ser gasto.
Agora a pergunta do título. De tempos em tempos aparece a notícia de que a carteira do Satoshi foi movimentada. Quando você ler isso, descubra primeiro de qual endereço a notícia está falando.
Se for o 1A1zP1…, abra o endereço num explorador de blocos. Procure o total enviado. Até o bloco 968.475 ele era zero. Se aparecer um valor maior que zero, aí sim alguma coisa saiu.
Se só o total recebido aumentou, alguém mandou moedas para lá. Isso acontece o tempo todo. Não quer dizer que a carteira foi mexida.
Se a notícia for sobre outro endereço, a conversa é outra. Muitos endereços antigos são ligados ao Satoshi por estimativa. Essa estimativa vem do padrão de mineração dos primeiros blocos.
No registro não existe etiqueta com nome de dono. Os números que circulam sobre quantos bitcoins o Satoshi tem vêm desse tipo de estimativa. Não repito nenhum aqui. O que eu conferi foi este endereço.
Vale também olhar como o site conta. Um explorador pode mostrar uns 57,48 BTC. Outro pode mostrar 107,49 BTC. Antes de comparar, veja se o site soma a chave pública ou só o endereço.
Essa história tem três coisas que servem para quem tem bitcoin hoje.
A primeira é que bitcoin enviado não volta. Nenhum dos 79.687 depósitos pode ser desfeito por quem mandou. Isso vale para qualquer envio seu. Se você mandou moedas para o lugar errado, aqui está o que ainda dá para fazer.
A segunda é que receber coisa que você não pediu é normal. O endereço gênese recebe marca de token e valor mínimo o tempo todo. Se aparecer um token estranho na sua carteira, vale entender antes se é airdrop de verdade ou golpe.
A terceira é que quem controla a chave controla as moedas. Os 57,47547771 BTC continuam parados porque a chave nunca foi usada. Não existe atendimento que recupere uma chave perdida.
É por isso que uma frase de recuperação vazada é o problema mais sério que uma carteira pode ter. Aqui explico como uma carteira funciona, e aqui o que uma carteira física protege.
E se você está olhando um explorador esperando o seu próprio depósito aparecer, veja por que às vezes ele demora a cair na corretora.
Nada deste texto exigiu acesso especial. O bloco zero, o e-mail e os 79.687 depósitos estão abertos para qualquer pessoa. Dá para refazer cada conta.
Se você está começando, o que é bitcoin e como comprar o primeiro são bons pontos de partida. Estas são as corretoras em que temos código de indicação.
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