O número que você digita não é o número que vende
São três preços diferentes dentro de uma ordem só: o que você digita, o que a corretora observa para disparar e o que sai do livro de ofertas.
| Dúvida comum | Resposta curta |
|---|---|
| O preço que eu digitei é o preço de venda? | Ele é a condição que aciona a ordem. O preço de venda sai do livro de ofertas |
| Disparou, então vendeu? | Nem sempre. Depois do disparo a ordem entra no livro e passa pelas mesmas checagens de qualquer outra |
| Stop a mercado ou stop-limit? | Cada um falha de um jeito: um pode sair bem abaixo do seu número, o outro pode não sair |
| Por que nem apareceu como disparada? | A condição é medida pela referência que a corretora observa, que pode ser diferente do preço do gráfico |
| A ordem protege contra a liquidação? | São procedimentos separados. Se a liquidação chegar primeiro, a ordem stop expira |
1. Quem define cada número: o que a ordem stop faz e o que ela não faz
2. Os três números de uma mesma ordem e a sequência entre eles
3. O número que você não digitou: qual preço a corretora observa para disparar
4. O mesmo recurso com nomes diferentes: o formato que cada corretora oferece
5. Gatilho atingido: daqui em diante é uma ordem comum e o livro decide
6. Stop a mercado: assegura o disparo, e o preço de execução fica com o livro
7. Matriz de garantias: o que cada formato assegura e onde cada um falha
8. Quando a proteção da corretora vira o motivo da não execução
9. Liquidação e stop são dois procedimentos, e um pode chegar antes
10. A mesma ordem não executada pesa diferente no spot e nos futuros
11. Ordens em par e ordens que cobrem só parte da posição
12. Stop móvel: o preço extremo registrado depois do envio é a referência
13. Níveis óbvios: a sequência que liga um stop ao próximo
14. Disparou e não vendeu: qual tela responde cada sintoma
15. Glossário: os termos que aparecem no seu histórico de ordens
Muita gente digita o preço na ordem stop achando que a venda já está garantida naquele valor. O funcionamento é outro. O número digitado serve para acionar a ordem, e o que acontece depois disso segue as regras normais do livro de ofertas, com fila, quantidade disponível e checagem de saldo. O gatilho decide quando a ordem é enviada; o livro de ofertas decide por quanto ela sai, e as duas coisas podem ficar bem longe uma da outra. Se os formatos básicos ainda são novos para você, vale abrir antes o texto sobre tipos de ordem em cripto.

1. Quem define cada número: o que a ordem stop faz e o que ela não faz
A regra que organiza este texto cabe em uma frase: cada número envolvido é definido por alguém diferente. Você define o preço de gatilho e também o preço limite, quando o formato escolhido tem esse campo. A corretora define a referência de preço que ela observa para dizer se a condição aconteceu. E o preço de execução quem define é o livro de ofertas. Os três são definidos em momentos diferentes e por partes diferentes da operação.
O nome do recurso atrapalha um pouco. Stop loss, em tradução direta, dá a entender que a perda para ali. O que a ordem faz é enviar uma ordem quando a condição definida por você acontecer. Depois desse envio valem as mesmas regras de qualquer outra ordem do mercado: precisa ter alguém do outro lado, precisa haver quantidade naquela faixa, precisa passar pela checagem de saldo. O gatilho não decide a execução.
Nada disso torna o recurso inútil. Quando a condição acontece, a ordem sai sozinha, no mesmo segundo, sem depender de você estar com o app aberto e sem hesitar no meio do movimento. Ela também deixa rastro: horário do disparo, configuração usada, quantidade, cancelamento. Esse registro é o que permite descobrir depois o que aconteceu de verdade, e é justamente ele que a maioria das pessoas nunca abre.
| A ordem faz isso | A ordem não faz isso |
|---|---|
| Envia uma ordem sozinha, no instante em que a condição que você definiu acontece | Vender pelo número que você digitou |
| Executa sem depender de você estar com a tela aberta e sem mudar de ideia no meio do caminho | Fixar de antemão quanto você vai perder |
| Deixa registro do disparo, do horário e da configuração no histórico da conta | Criar contraparte onde o livro de ofertas está vazio |
| Pode ser configurada para agir antes de o preço chegar perto do preço estimado de liquidação | Ficar sempre à frente do procedimento de liquidação |
2. Os três números de uma mesma ordem e a sequência entre eles
Uma ordem stop trabalha com até dois números que você digita, sendo o segundo exclusivo do formato stop-limit, e um terceiro que aparece depois sem passar pela sua mão. Vale nomear os três com calma, porque o histórico da conta usa esses nomes e as telas mudam de rótulo com o tempo.
O preço de gatilho é a condição. Enquanto a referência observada pela corretora não encostar nele, a ordem fica parada e não aparece no livro para ninguém. O preço limite existe apenas no formato stop-limit e diz até onde você aceita vender: a ordem enviada fica pendurada nesse valor. O preço de execução é o que saiu de fato, e ele sai do encontro com as ofertas do outro lado.
| Número | Quem define | O que ele decide |
|---|---|---|
| Preço de gatilho (stop, disparo) | Você digita | O momento em que a ordem é enviada ao livro. Não tem relação com o preço de execução |
| Preço limite | Você digita, e só existe no formato stop-limit | O preço em que a ordem enviada fica pendurada no livro. Abaixo dele a venda não acontece |
| Preço de execução | O livro de ofertas define | O valor pelo qual o negócio saiu de fato. Pode ser diferente dos dois números anteriores |
A sequência entre os dois primeiros números é a parte que mais gera confusão. A documentação da Binance é direta nesse ponto: uma ordem limite não tem efeito nenhum antes do preço de gatilho ser atingido, inclusive quando o preço limite é alcançado primeiro. Ou seja, se o mercado passa pelo seu preço limite, negocia ali e volta sem tocar no preço de gatilho, não aconteceu nada. A ordem continua em espera, invisível para o livro, e o seu histórico não vai mostrar disparo nenhum.
Isso muda o encaixe entre os dois campos. Se gatilho e limite são o mesmo número, a ordem é acionada no exato instante em que o mercado alcança aquele valor e entra no livro para vender no preço que o mercado acabou de deixar para trás. A Binance registra a orientação inversa: em uma venda, deixar o gatilho um pouco acima do preço limite dá alguma folga para a ordem chegar ao livro enquanto ainda existem ofertas na faixa; em uma compra, a folga vai para o outro lado. Isso trata do encaixe entre os dois campos, e não de qual distância usar até o seu preço de entrada, que é decisão sua.
Se ordem limite e ordem a mercado ainda são nomes novos, o texto sobre tipos de ordem em cripto cobre essa base. Daqui em diante o foco fica no que muda quando a ordem é condicional. Guarde quem define cada número, porque isso reaparece em todas as falhas descritas adiante.
3. O número que você não digitou: qual preço a corretora observa para disparar
Existe um quarto número na história, e ele já vem preenchido antes de você tocar em qualquer campo: a referência de preço que a corretora observa para decidir se a condição aconteceu. Quem abre o app, escolhe o formato e sai digitando valor e quantidade nunca passa por esse campo, que fica recolhido em um seletor discreto.
São três referências possíveis. O último preço negociado é o preço do negócio mais recente naquela corretora. O preço de marcação, também chamado de mark price, é calculado a partir de vários mercados para servir de base ao cálculo de posições. O preço de índice junta preços de várias corretoras em um número só.
| Referência | O que ela é | O que você aceita ao escolher |
|---|---|---|
| Último preço negociado | O preço do negócio mais recente naquela corretora | Um pavio curto e isolado, em faixa de pouca liquidez, já conta como condição atingida |
| Preço de marcação (mark price) | Um preço calculado a partir de vários mercados | Ele anda separado do preço que aparece no seu gráfico, então o disparo não coincide com o que você vê ali |
| Preço de índice | Um índice montado com preços de várias corretoras | É o mais distante do livro em que a sua ordem realmente vai ser executada |
A parte contraintuitiva é que a referência padrão muda de acordo com o formato de ordem, na mesma corretora e na mesma tela. No mercado spot da Binance, o stop-limit vem configurado com o último preço negociado e o stop a mercado vem configurado com o preço de marcação, cada um com a outra opção disponível no seletor. São duas ordens que você monta na mesma janela, com aparência idêntica no gráfico, e que medem a condição por referências diferentes.
O efeito prático aparece no atendimento das próprias plataformas. A OKX lista, como primeiro motivo de “o TP/SL não executou no preço configurado”, exatamente a diferença de referência: a ordem estava medindo por um preço que não é o do gráfico que você olhava, então a condição não chegou a ser atendida. Você viu a linha do gráfico cruzar o seu número e a ordem continuou parada, sem erro nenhum do sistema.
Nenhuma das três é a opção correta em abstrato: cada uma troca um tipo de erro por outro. Antes de confirmar qualquer ordem condicional, abra o seletor de referência e veja qual valor está marcado ali. Dependendo da região, a lista de formatos e de opções que aparece na tela é diferente, então essa conferência é sempre na sua própria tela. Depois de disparada, a configuração fica gravada no histórico da ordem, e é lá que dá para conferir com qual referência ela estava trabalhando.
4. O mesmo recurso com nomes diferentes: o formato que cada corretora oferece
O mesmo recurso aparece com nomes diferentes em cada plataforma. Em uma delas é stop-limit e stop a mercado; em outra é ordem condicional limite e ordem condicional a mercado; em outra é ordem trigger. Existe ainda o par de TP/SL aplicado direto na posição, que fica colado nela em vez de aparecer na lista de ordens abertas. As diferenças reais estão em dois pontos: quais formatos a plataforma oferece e quais referências de preço ela deixa você escolher.
O quadro abaixo resume o que a documentação de ajuda de cada uma descrevia em agosto de 2026. Telas e rótulos mudam com frequência, então confira os nomes atuais na central de ajuda da corretora que você usa.
| Corretora | Formatos da família stop | Referência de preço |
|---|---|---|
| Binance, mercado spot | Stop-limit, stop a mercado, stop móvel, OCO | Stop-limit vem com último preço; stop a mercado vem com preço de marcação |
| Binance, futuros | Stop loss e take profit, nas versões a mercado e limite | Último preço ou preço de marcação |
| Bybit | Ordem condicional a mercado, ordem condicional limite, TP/SL de posição | Último preço, índice ou marcação |
| OKX | Ordem trigger e TP/SL | Escolha de referência mais um limite de proteção de 5% |
O quadro não coloca ninguém em primeiro lugar. Oferecer mais formatos não deixa uma plataforma melhor para o seu caso: são configurações de tela, e o comportamento no livro de ofertas segue a mesma lógica em todas. Para quem usa mais de uma corretora, porém, a diferença de nomes vira risco de leitura: a pessoa procura o rótulo conhecido, não encontra, escolhe o formato de nome parecido e acaba com uma ordem que mede a condição por outra referência. A comparação de estruturas está no texto sobre corretoras de criptomoedas, e o mapa de recursos de uma delas está em recursos da Binance.
As plataformas abaixo estão aqui pelo formato que cada uma oferece, e nada mais. A escolha de qual formato usar continua sendo sua.
Binance
Bybit
OKX
Gate.io
MEXC
Aviso de afiliados: alguns links são de parceiros. Podemos receber uma comissão sem custo extra para você. Isto não é recomendação de investimento.
5. Gatilho atingido: daqui em diante é uma ordem comum e o livro decide
O disparo é o fim da parte automática e o começo da parte comum. No instante em que a condição acontece, a corretora envia uma ordem em seu nome, e essa ordem passa a ser tratada como qualquer outra: recebe identificação, entra na fila e depende do que existe do outro lado.
As três condições de uma execução
A Binance descreve três condições para uma ordem limite ser executada, e elas se aplicam igualmente à ordem limite enviada por um stop. A primeira é o preço: o mercado precisa alcançar o seu valor ou algo melhor que ele. A segunda é a liquidez: mesmo com o preço alcançado, sem quantidade do outro lado não existe negócio. A terceira é o tempo: em movimento rápido, a ordem pode não ter tempo de percorrer a fila até a sua vez.
O exemplo que a própria documentação usa é aritmético e resolve a dúvida mais comum. Uma ordem de venda com preço limite em 70.600 USDT, em uma faixa cujo topo foi 70.598 USDT, não executa. Faltaram dois pontos, e dois pontos bastam. Não existe execução aproximada.
Fila, prioridade e execução parcial
Dentro de cada nível de preço as ordens são atendidas por prioridade de preço e tempo: primeiro o preço melhor, e entre preços iguais, quem chegou antes. A ordem enviada pelo gatilho chega por último naquele nível, atrás de tudo que já estava lá. Se a quantidade disponível acabar antes de chegar a sua vez, o resto fica pendurado.
Daí vem a execução parcial: metade da quantidade sai em um preço, um pedaço sai em outro, e uma sobra continua aberta esperando comprador. A OKX inclui esse cenário na lista de motivos de execução fora do preço configurado, citando volatilidade e profundidade insuficiente do livro.
A checagem de saldo acontece no disparo
Existe ainda uma checagem que muita gente não espera: a conferência de saldo e de margem é feita no momento do disparo, e não no momento em que você criou a ordem. Se naquele instante o valor necessário para executar for maior que o valor calculado quando a ordem foi montada, a ordem pode ser cancelada, e é a Binance quem descreve esse comportamento. A mesma ideia aparece na OKX, que lista limite de quantidade excedido e margem insuficiente no disparo entre os motivos de não execução.
Isso acontece com mais frequência em conta de derivativos, onde o saldo disponível é compartilhado com outras posições e ordens abertas, e a forma de organizar a margem muda esse cálculo: a diferença entre os dois modos está em margem isolada e margem cruzada. No spot o caso típico é mais simples, com parte da quantidade já vendida, transferida ou travada em outra ordem.
6. Stop a mercado: assegura o disparo, e o preço de execução fica com o livro
A expressão “a mercado” dá a impressão de execução imediata a qualquer custo. O formato condicional funciona um pouco diferente disso, e a documentação da Binance descreve a ordem stop a mercado como um formato feito para funcionar de forma parecida com o stop-limit, incorporando uma tolerância de slippage. Ou seja, existe um limite embutido de quanto a execução pode se afastar, mesmo sem você digitar preço limite nenhum.
Slippage, ou derrapagem, é a distância entre o preço que você esperava e o preço em que o negócio saiu. Ela aparece quando a quantidade da sua ordem consome vários níveis do livro, ou quando o movimento entre o disparo e a chegada da ordem foi grande. Não existe um percentual típico para citar aqui: isso depende da profundidade do livro naquele instante e do tamanho da ordem, e qualquer número fixo seria invenção.
A mesma documentação descreve dois desfechos possíveis. A ordem pode ser executada por inteiro ou apenas em parte, e o que não foi executado permanece aberto como ordem limite maker. Na prática, uma venda a mercado termina com uma ordem limite pendurada no livro, esperando alguém do outro lado. A quantidade que sobrou continua na sua carteira ou na sua posição enquanto isso.
Existe ainda o caso do cancelamento. Se o saldo necessário para executar for maior que o saldo calculado inicialmente, a ordem pode ser cancelada. Uma ordem a mercado cancelada é um resultado difícil de aceitar quando se acreditava em execução automática, e é uma possibilidade descrita pela própria plataforma.
A Bybit descreve o mesmo funcionamento com outras palavras nas ordens condicionais: na versão a mercado, a documentação anota como característica a ausência de controle sobre o preço de execução, e anota que não há promessa de execução, porque isso depende do movimento de preço e da liquidez do momento.
Em faixa de livro fino a distância entre gatilho e execução cresce sem aviso. Basta pouca quantidade nas ofertas logo abaixo do seu número e uma sequência de ordens chegando ao mesmo tempo. O disparo continua funcionando exatamente como programado, e o preço de saída é outro.

7. Matriz de garantias: o que cada formato assegura e onde cada um falha
Com os dois formatos descritos, dá para colocar lado a lado o que cada um assegura e onde cada um falha. A comparação abaixo é o resumo mais útil do texto, e a leitura correta dela é que os dois têm falha, em pontos opostos.
| Item | Stop a mercado (condicional a mercado) | Stop-limit (condicional limite) |
|---|---|---|
| Disparo | Assegurado quando a condição acontece | Assegurado quando a condição acontece |
| Execução | Acontece na maior parte das vezes, sem promessa | Fica em aberto, sem promessa |
| Preço | Em aberto, sai do livro | Nada é vendido abaixo do preço limite |
| Falha típica | Execução bem longe do preço de gatilho | Preço passa direto e nada é executado |
| Sobra não executada | O que restou fica no livro como ordem limite maker (Binance) | Continua pendurada como ordem limite |
| Saldo ou margem insuficiente no disparo | Pode ser cancelada | Pode ser cancelada |
O stop a mercado assegura o disparo e deixa o preço em aberto. Ele resolve o problema de sair, e não resolve o problema de sair em um valor previsível. O stop-limit assegura o preço e deixa a execução em aberto: nada é vendido abaixo do seu limite, e existe a possibilidade de nada ser vendido. Uma ordem stop-limit pode não executar, e nesse caso a posição continua exatamente como estava, com a perda correndo.
Nenhum dos dois formatos é superior, e este texto não escolhe por você. Os dois falham, em pontos diferentes: um sai a um preço pior do que o esperado, e o outro não sai. Qual dos dois incomoda mais depende do que você está segurando, de quanto o livro daquele par costuma comportar e do seu próprio critério, que é assunto seu.
Como cada falha aparece no histórico
A falha do stop a mercado é fácil de identificar: existe registro de disparo, existe execução, e o preço médio está distante do preço de gatilho, às vezes com várias execuções em preços decrescentes, que é a marca de uma ordem consumindo níveis do livro.
A falha do stop-limit tem outra aparência: existe registro de disparo, não existe execução, e a ordem aparece na lista de ordens abertas como ordem limite comum, com o preço que você digitou. Muita gente descobre isso dias depois, quando percebe que ela foi executada em um repique bem posterior ao movimento que gerou o disparo.
8. Quando a proteção da corretora vira o motivo da não execução
Uma corretora pode recusar a execução quando o preço cotado se afasta demais do preço de gatilho, e é justamente isso que aparece depois como ordem não executada. A regra descrita a seguir vale nos movimentos rápidos, que é quando as pessoas mais contam com a ordem.
A OKX descreve para as ordens trigger um limite de proteção de 5%. Em uma compra, se o preço cotado estiver mais de 5% acima do preço de gatilho, a execução não acontece. Em uma venda, se estiver mais de 5% abaixo, também não acontece. Ultrapassado esse limite, a ordem é cancelada automaticamente e um aviso é enviado por e-mail.
Esse valor de 5% aparece na documentação de um recurso específico de uma plataforma. Não trate como número comum a todas as demais, nem como padrão do mercado: o que cada corretora faz quando o preço se afasta demais do gatilho é assunto da ajuda dela, e não dá para deduzir isso a partir de um caso. Antes de contar com um cancelamento automático, procure a descrição na plataforma que você usa.
A lista de motivos que a própria plataforma publica
A OKX publica uma lista de motivos para um TP/SL não ter sido executado no preço configurado, e ela funciona como roteiro de diagnóstico. São cinco itens: a referência de preço configurada era outra e a condição não aconteceu; a ordem estava no formato limite e não foi executada depois do disparo; faltou profundidade no livro ou a volatilidade impediu a execução completa, gerando execução parcial; o limite de quantidade foi excedido ou faltou margem no momento do disparo; e a ordem perdeu lugar na fila de prioridade de preço e tempo para outras ordens.
Nenhum desses cinco itens é falha de sistema: todos descrevem funcionamento normal.
9. Liquidação e stop são dois procedimentos, e um pode chegar antes
Em mercado alavancado existem dois procedimentos rodando ao mesmo tempo, e eles não conversam entre si. Um é a sua ordem stop, que espera a condição que você definiu. O outro é a liquidação, conduzida pelo sistema de risco da corretora quando a margem da posição fica abaixo do necessário para mantê-la aberta. Cada um tem o próprio critério e a própria referência de preço.
A consequência aparece na documentação de futuros da Binance, que orienta a não colocar o preço de gatilho do stop loss perto do preço estimado de liquidação, porque a liquidação pode acontecer antes da ordem stop e fazer com que essa ordem expire. A frase é curta e resolve uma dúvida que aparece o tempo todo: a ordem stop não fica na frente da liquidação por natureza. Quando a liquidação chega primeiro, a posição é encerrada por outro caminho e a ordem que você tinha montado deixa de existir, sem nunca ter sido executada.
Isso é diferente de dizer que a ordem stop não serve para nada em futuros. Ela pode ser configurada para agir bem antes do preço estimado de liquidação, e o que acontece a partir daí depende de a ordem enviada ser executada ou não. O que não existe é a promessa de precedência: nenhuma das duas tem prioridade garantida sobre a outra.
A mesma documentação insiste em acompanhar a distância entre o último preço negociado e o preço de marcação, e registra que o preço de marcação é truncado na unidade de precisão do par para efeito de acionamento. São detalhes pequenos que produzem diferenças reais de instante, e explicam parte dos casos de gatilho que pareceu ter sido atingido no gráfico e não foi.
Como a liquidação depende da margem disponível, a forma de organizar essa margem muda o momento em que ela é acionada, e o procedimento em si está descrito em por que fui liquidado. Aqui basta a parte que interessa às ordens stop: são dois processos separados, e a ordem de chegada entre eles depende de preço, de referência e de margem, não de qual você configurou primeiro. Enquanto a posição continua aberta em contratos perpétuos, existe ainda a taxa de funding correndo junto.
10. A mesma ordem não executada pesa diferente no spot e nos futuros
A mesma falha, exatamente o mesmo disparo sem execução, produz consequências bem diferentes conforme o mercado. Essa comparação costuma ser o que falta para alguém entender por que a experiência do vizinho não bate com a dele.
| Ponto | Spot | Futuros |
|---|---|---|
| O que sobra quando não executa | Você segue com a moeda na carteira | A posição segue aberta e a perda continua correndo |
| Encerramento forçado | Não existe | A liquidação roda como procedimento separado |
| Peso da referência de preço | Muda o instante do disparo | Muda o instante do disparo e a ordem de chegada em relação à liquidação |
No mercado spot não existe liquidação. Se a ordem disparou e não foi executada, você continua com a moeda na carteira e com uma ordem limite pendurada no livro, ou com uma ordem cancelada, dependendo do caso. Nada é encerrado por terceiros. O prejuízo é o que está no preço da moeda naquele momento, e ele só vira resultado quando você vender. Dá para cancelar a ordem antiga e montar outra quando quiser.
Em futuros a mesma não execução deixa a posição aberta e alavancada, com a margem sendo consumida enquanto o preço anda. O sistema de risco continua avaliando a posição, e existe um ponto em que ele age sozinho. A ordem que ficou pendurada no livro sem execução não interrompe nada disso. Foi por esse motivo que a seção anterior separou os dois procedimentos.
Daí vem o peso diferente da escolha de referência de preço. No spot, escolher entre último preço e preço de marcação muda o instante em que a ordem é acionada. Em futuros, essa mesma escolha muda também a corrida entre a sua ordem e o procedimento de liquidação: é a mesma configuração de tela com dois níveis de consequência. Quem usa os dois mercados costuma levar o hábito de um para o outro sem perceber, e as diferenças estruturais estão em spot e futuros, com o passo a passo da compra à vista em como comprar bitcoin.
11. Ordens em par e ordens que cobrem só parte da posição
Existem dois arranjos que aparecem bastante e que geram dúvidas parecidas: as ordens montadas em par e as ordens que cobrem só parte de uma posição.
Uma dispara, a outra é cancelada
A OCO junta uma ordem limite e uma ordem stop-limit no mesmo pedido. Quando uma das duas dispara, a outra é cancelada automaticamente. É o arranjo típico de quem quer registrar de uma vez o ponto de saída no lucro e a condição de saída no outro sentido, sem correr o risco de vender a mesma quantidade duas vezes. O TP/SL aplicado à posição funciona com a mesma lógica de cancelamento cruzado.
O par organiza o cancelamento, e nada além disso. O lado que disparou continua sujeito a tudo que foi descrito antes: pode ficar pendurado sem execução, sair parcial ou ser cancelado por falta de saldo.
Quantidade coberta e quantidade descoberta
A outra confusão comum é o alcance da ordem. Na Bybit, o TP/SL pode valer para a posição inteira ou apenas para a quantidade daquela ordem específica, e a escolha muda quanto é encerrado quando a condição acontece. Se a configuração pega só uma parte, o restante da posição continua aberto depois do disparo, exposto ao mesmo movimento.
Isso costuma aparecer em posições montadas em várias entradas. A condição de saída foi criada junto com a primeira ordem, a posição aumentou depois, e a ordem antiga continua cobrindo apenas a quantidade original. O disparo acontece, uma parte é encerrada, e o resultado parece pela metade porque a quantidade configurada era essa.
Vale a mesma checagem em posições abertas por meio de copy trading: a condição de saída, quando existe, segue as regras do livro como qualquer outra ordem. Já os robôs de grid trading montam a grade de compras e vendas dentro de uma faixa, e não colocam uma condição de saída da posição no lugar de quem opera. Se essa condição precisa existir, ela é criada por você, com os mesmos campos descritos aqui.

12. Stop móvel: o preço extremo registrado depois do envio é a referência
O stop móvel, também chamado de trailing stop, resolve um problema específico: manter a condição de saída acompanhando o preço enquanto ele anda a favor, sem que você precise cancelar e recriar a ordem toda hora. O detalhe que muda tudo é qual preço serve de referência para esse acompanhamento.
No spot da Binance, a distância de acompanhamento é informada em pontos-base, e o mecanismo funciona a partir do extremo registrado depois do envio da ordem. Em uma venda, o sistema guarda o maior preço observado desde que a ordem foi criada, e dispara quando o preço cai a distância configurada a partir desse máximo. Em uma compra, ele guarda o menor preço observado e dispara quando o preço sobe a distância configurada a partir desse mínimo. Cada par tem uma faixa própria de distância mínima e máxima aceita.
A palavra importante ali é “depois”. A referência começa a ser registrada no envio da ordem, e não no preço em que você entrou na posição. Se o preço já subiu bastante antes de você criar o stop móvel, esse trecho anterior não entra na conta. E se o preço caiu logo depois do envio, o extremo registrado é praticamente o preço do momento do envio, o que aproxima o disparo bem mais do que a pessoa imaginava.
O outro ponto é que o stop móvel não escapa de nada do que foi descrito antes. Quando a condição acontece, ele envia uma ordem, essa ordem entra no livro e vale o mesmo conjunto de regras: preço, liquidez, tempo, fila, saldo. A parte móvel é só a forma de calcular o gatilho.
O acompanhamento anda em uma direção só. O extremo registrado não volta atrás quando o preço recua, então a distância entre o preço atual e a condição diminui e não aumenta. É assim que o recurso funciona, e isso explica por que um stop móvel dispara em movimentos laterais que pareciam irrelevantes no gráfico.
13. Níveis óbvios: a sequência que liga um stop ao próximo
Uma pergunta aparece sempre nesse assunto: por que o preço costuma chegar exatamente na faixa onde as ordens estão concentradas. Dá para responder com a sequência dos eventos, sem afirmar intenção de ninguém.
Começa pela escolha dos níveis. As pessoas escolhem lugares parecidos para colocar a condição, porque olham as mesmas referências visíveis no gráfico: logo abaixo de um fundo recente, logo abaixo de um número redondo, na borda de uma faixa que segurou o preço antes. O resultado é um acúmulo de ordens condicionais em uma região estreita, montadas por gente que nunca conversou entre si.
A sequência segue assim. O preço encosta nessa região e uma parte dessas ordens é acionada. A maioria delas foi montada em formato a mercado, então entram no livro consumindo as ofertas de compra disponíveis. Cada nível consumido move o preço um pouco mais para baixo. Esse movimento alcança a região seguinte, onde existe outro acúmulo de ordens, acionadas pelo mesmo motivo. O encadeamento continua enquanto houver concentração pela frente e pouca quantidade do outro lado.
A descrição acima não afirma que alguém empurrou o preço para alcançar essas ordens, e intenção não é algo que se verifique a partir de dados de mercado. O que dá para observar é a sequência: concentração, disparo, consumo do livro, deslocamento, nova concentração alcançada.
A consequência prática vale mais que a teoria. Em regiões de acúmulo, muitas ordens chegam ao livro no mesmo intervalo curto e a quantidade disponível do outro lado tende a acabar rápido, então a distância entre preço de gatilho e preço de execução aumenta. Onde colocar a sua condição continua sendo decisão sua, e este texto não sugere níveis.
14. Disparou e não vendeu: qual tela responde cada sintoma
Chegou a parte que resolve o caso concreto. Quando a ordem não fez o que você esperava, existe uma sequência de telas que responde qual das etapas falhou, e ela leva poucos minutos. Cada sintoma tem uma tela que responde por ele.
Comece pelo histórico de ordens, que guarda a configuração usada: preço de gatilho, preço limite quando existir, quantidade, referência de preço e horário. Se não existe registro de disparo, a investigação para aqui, porque a condição não foi atendida pela referência que a ordem usava, e o motivo mais comum é o gráfico mostrar o último preço negociado enquanto a ordem media pelo preço de marcação. A tabela abaixo reúne os outros casos.
| Sintoma | Causa possível | Onde conferir |
|---|---|---|
| Não existe registro de disparo nenhum | A referência de preço usada pela ordem era outra, então a condição não chegou a acontecer | Histórico de ordens, no campo de configuração do gatilho |
| Disparou e não houve execução | O mercado passou direto pelo preço limite | Lista de ordens abertas, procurando a ordem limite pendurada |
| Vendeu só uma parte | Faltou quantidade do outro lado naquela faixa de preço | Histórico de execuções: vários registros com preços diferentes indicam consumo de níveis do livro, e um registro só, com quantidade menor, indica falta de contraparte |
| A ordem simplesmente sumiu | Cancelamento por saldo ou margem insuficiente, ou por limite de proteção ultrapassado | Histórico de ordens, no motivo do cancelamento, e nos avisos por e-mail |
| Em vez do stop, veio a liquidação | O procedimento de liquidação chegou primeiro e a ordem stop expirou | Registro de liquidação e a marcação de expiração da ordem stop |
Quando o registro de liquidação aparece e a ordem stop consta como expirada, foi o outro procedimento que encerrou a posição primeiro, e o que aconteceu daquele lado está em por que fui liquidado.
Com a tabela em mãos, a conversa com o suporte também muda. Em vez de relatar que a ordem não funcionou, dá para perguntar por qual referência ela estava medindo a condição, ou pedir o motivo do cancelamento registrado.
15. Glossário: os termos que aparecem no seu histórico de ordens
Os termos abaixo são os que aparecem nas telas de configuração e no histórico da conta. Os rótulos exatos mudam de plataforma para plataforma, e às vezes ficam em inglês mesmo na versão em português, então os dois nomes estão anotados juntos.
Preço de gatilho (stop price, trigger price): o valor que serve de condição para a ordem ser enviada. Ele não participa do cálculo do preço de venda.
Preço limite (limit price): o valor pelo qual a ordem enviada fica pendurada no livro, existente apenas no formato stop-limit. Nada é negociado em condição pior que ele.
Preço de execução (fill price): o valor pelo qual o negócio saiu de fato. Quando a ordem é executada em várias partes, cada parte tem o seu, e a tela costuma mostrar a média.
Slippage (derrapagem): a distância entre o preço esperado e o preço de execução. Cresce quando a quantidade da ordem consome vários níveis do livro ou quando o movimento é rápido.
Preço de marcação (mark price): preço calculado a partir de vários mercados, usado como referência de cálculo e, em muitos casos, como referência de acionamento.
Preço de índice (index price): índice montado com preços de várias corretoras. É a referência mais distante do livro específico em que a sua ordem será executada.
Último preço negociado (last price): o preço do negócio mais recente naquela corretora, e o número que o gráfico costuma mostrar por padrão.
Execução parcial: quando apenas parte da quantidade pedida é negociada. O restante continua aberto ou é cancelado, conforme o formato da ordem.
Prioridade de preço e tempo: a regra de atendimento do livro. Preço melhor passa primeiro; entre preços iguais, quem chegou antes.
Ordem condicional: nome genérico das ordens que ficam em espera até uma condição acontecer. Stop-limit, stop a mercado, stop móvel, OCO e TP/SL fazem parte dessa família.
Ordem limite maker: ordem que entra no livro adicionando oferta em vez de consumir a oferta existente. É o formato em que a sobra não executada de um stop a mercado permanece aberta na Binance.









