Mesma compra, mesmo minuto: por que um pagou mais taxa que o outro?
Limitada, a mercado, stop-limit, post only, IOC, FOK, OCO e trailing: o que cada tipo garante, o que entrega em troca e por que o preço final quem decide é o livro.
Seis frases que aparecem toda semana em grupo de trader e o que o motor de casamento de ordens faz de verdade em cada caso. Cada linha vira uma seção lá embaixo.
| O que se diz | O que a máquina faz |
|---|---|
| “Fiz a mesma operação que ele e paguei taxa maior.” | Quem define maker ou taker é a ordem, não a conta. Ordem que descansa no livro e é casada depois paga a taxa de maker. |
| “Ordem a mercado executa no preço da tela.” | Executa contra o que existe no livro, nível por nível. Seu preço é a média ponderada de tudo que ela consumiu. |
| “Minha ordem limitada estava na frente.” | Primeiro o melhor preço, depois quem chegou antes naquele preço. Alterar o preço em geral joga a ordem para o fim da fila. |
| “Meu stop estava no livro esperando.” | Não estava. É uma condição guardada pela corretora, sem lugar em fila nenhuma e invisível para os outros. |
| “O stop disparou, então saí da operação.” | Um stop-limit pode disparar e deixar uma ordem limitada parada sem executar atrás de um mercado que já passou. A posição continua aberta. |
| “A corretora recusou minha ordem sem motivo.” | Cada par publica passo de preço, passo de quantidade, valor mínimo e faixa de preço. A recusa quase sempre é um desses quatro. |
A frase para levar daqui: você escolhe a ordem e o livro escolhe o preço; cada tipo só decide qual dos dois você consegue fixar.
1. Mesma operação, mesmo minuto, taxas diferentes
2. Post only: transformar a intenção de maker em regra
3. A fila do livro: prioridade preço-tempo
4. A ordem a mercado come profundidade, e isso tem preço
5. Duas garantias, e só dá para escolher uma
6. O que fazer com a parte que não executou
7. Ordem condicional: o stop não está no livro
8. Stop-limit e stop-market falham em direções opostas
9. Qual preço o gatilho observa, e quando ele é impedido
10. Ordens que vigiam umas às outras: OCO, OTO e trailing
11. As cinco regras que recusam a ordem antes do livro
12. O que olhar antes de enviar e como ler as execuções
13. Glossário: quinze termos que cobrem a boleta
Duas pessoas compram a mesma moeda, no mesmo minuto, pelo mesmo valor, e no fim do dia uma pagou mais taxa que a outra. Não foi programa de VIP nem sorte: foi o tipo de ordem que cada uma usou. Essa é a porta de entrada mais barata para entender a tela de negociação inteira, porque a mesma lógica que separa as duas taxas também explica por que uma compra a mercado sai pior que o preço mostrado, por que uma ordem limitada fica parada enquanto o preço encosta nela, e por que um stop consegue disparar sem vender nada. Este guia abre a boleta campo por campo: o que cada tipo garante, o que entrega em troca, o que o livro faz com ela e o que a corretora confere antes de aceitar. Se a diferença entre ter a moeda e operar um contrato sobre ela ainda está confusa, spot e futuros vem antes, e os dois valores que entram na conta sem você clicar em nada estão em funding e em liquidação.

1. Mesma operação, mesmo minuto, taxas diferentes
Toda tabela de taxas de corretora tem duas colunas, maker e taker, e a distância entre elas costuma ser maior que a distância entre dois degraus de volume. O detalhe é que a coluna não é escolhida pela sua conta: é escolhida pela sua ordem.
Quem deixa uma ordem parada no livro e é casado por outra pessoa depois está fornecendo liquidez, e paga a taxa de maker. Quem casa na hora contra algo que já estava lá está tirando liquidez, e paga a taxa de taker. Ordem a mercado é taker por definição. Ordem limitada só é maker se o preço dela não atravessar o livro no instante em que é enviada. Uma compra limitada acima da melhor venda atravessa, executa na hora e paga taker, mesmo com a palavra limitada escrita na tela.
| O que você envia | O que acontece ao chegar | Lado da taxa |
|---|---|---|
| Ordem a mercado | Consome na hora o que está descansando | Taker |
| Limitada longe do mercado | Fica no livro esperando | Maker, quando for casada |
| Limitada que atravessa o spread | Casa na hora com o que estava lá | Taker, na parte executada de imediato |
| Limitada com post only que atravessaria | A corretora cancela na entrada | Sem execução e sem taxa |
| Stop-market depois de disparar | Vira ordem a mercado | Taker |
| Stop-limit depois de disparar | Vira uma limitada comum no livro | Depende de essa limitada atravessar ou não ao aterrissar |
Falta somar o spread nessa conta, que quase todo mundo esquece. Escolher execução imediata não custa só a taxa de taker: custa também atravessar a diferença entre a melhor compra e a melhor venda. Em par muito negociado isso é menos que a taxa. Em par parado pode ser várias vezes a taxa. Comparar maker contra taker sem olhar o spread deixa a conta pela metade.
E o caminho inverso também é verdadeiro, para não vender a coluna de maker como solução. Enquanto sua ordem espera no livro, o mercado pode ir embora, e o que foi economizado em taxa se perde no preço. A taxa é um número contratado; o que acontece durante a espera não é.
2. Post only: transformar a intenção de maker em regra
Se a taxa depende de a ordem descansar ou não, existe uma caixinha que transforma essa intenção em regra: post only, em algumas telas chamada de apenas maker.
A documentação da Binance descreve o comportamento sem rodeio: a ordem com post only vai existir como ordem maker no livro e nunca casa com ordens que já estão lá; se o preço fosse causar casamento imediato, o sistema cancela a ordem no momento do envio. O acordo inteiro está aí. Você tem garantia de nunca pagar taker, e o preço dessa garantia é que às vezes a ordem simplesmente não existe.
Quem já ativou post only e depois procurou a ordem sumida na lista conheceu a segunda metade do acordo. Não é bug e não é a corretora recusando você: é a instrução funcionando. Combinar post only com uma instrução que exige execução imediata é contraditório, e as corretoras recusam ou ignoram uma das duas.
Vale registrar também o que post only não faz. Ele não melhora seu preço, não segura fila e não protege de nada. Ele só recusa um resultado específico, o de virar taker. Em par com spread largo, insistir em maker pode significar esperar bastante; em par líquido, costuma custar poucos segundos. A escolha depende do que está mais caro naquele momento, o tempo ou a taxa, e essa é uma conta que muda a cada operação.
Uma última observação sobre nomes: algumas telas oferecem uma opção parecida chamada apenas reduzir, que é outra coisa completamente diferente e aparece mais adiante. Vale olhar qual caixinha está marcada antes de enviar, porque elas ficam lado a lado.
Tem ainda um efeito prático que pouca gente associa ao post only: ele muda a sua posição na fila sem que você perceba. Cada vez que a ordem é cancelada automaticamente e você reenvia um tick abaixo, entra no fim da fila daquele novo nível. Em par movimentado isso é irrelevante, porque a fila anda; em par parado, reenviar várias vezes pode significar ficar sempre atrás de quem chegou primeiro e nunca executar. Se a ordem precisa mesmo acontecer, em algum momento a conta muda de lado.
3. A fila do livro: prioridade preço-tempo
Para entender por que uma ordem espera, tem que olhar onde ela espera. O livro de ordens não é uma tabela de preços: é uma fila organizada por duas regras públicas.
Motores de casamento trabalham com prioridade preço-tempo, também chamada de FIFO. Entre ordens do mesmo lado, o melhor preço é casado primeiro: a maior compra entre os compradores, a menor venda entre os vendedores. Entre ordens no mesmo preço, ganha quem chegou antes.
Sua ordem parada tem então duas coordenadas. A primeira é o nível de preço, que decide se ela chega a ser elegível. A segunda é a posição dela na fila daquele nível, que decide se sobra alguma coisa do volume que entra. Se no seu preço já existem mil unidades e você colocou cem atrás delas, uma venda de quinhentas consome metade do que estava na frente e não encosta em você.
- Melhorar o preço custa o lugar. Na maioria dos motores, mudar preço ou aumentar quantidade equivale a cancelar e entrar de novo, então a ordem vai para o fim da fila do novo nível. Reduzir quantidade costuma manter o lugar.
- Execução parcial mantém o resto trabalhando. Uma ordem pode casar com várias que chegam, e produzir três ou quatro execuções no mesmo preço em momentos diferentes.
- O número que aparece no livro é um total. Ele não diz de quantas pessoas é aquele volume nem há quanto tempo cada uma está lá.
- Cancelar é de graça, menos no que importa. Ninguém cobra e a espera acumulada some.
Existe um momento em que a fila deixa de ser detalhe e vira o problema inteiro: quando o preço anda em uma direção só. Em alta, as compras deixadas embaixo ficam com a fila intacta na frente; em queda, acontece o mesmo com as vendas deixadas em cima. Quando uma ordem passa horas sem executar, ou o preço não chegou, ou chegou e a fila era comprida. São dois problemas diferentes e se resolvem de formas diferentes.
Dá para distinguir os dois olhando o histórico do par. Se o preço nunca tocou o seu nível, a espera é só espera. Se tocou várias vezes e a ordem continua intacta, o problema é a fila: havia volume suficiente na frente para absorver tudo que chegou. No segundo caso, mudar de preço resolve na hora e custa o lugar conquistado, e essa troca é a decisão que a maioria toma sem perceber que está tomando.
Vale lembrar que a fila também explica um comportamento que parece aleatório: a ordem que executa metade e para. Chegou volume suficiente para consumir o que estava na frente e parte do que era seu, e não mais que isso. O restante continua no mesmo lugar, com a mesma prioridade, esperando o próximo fluxo.
4. A ordem a mercado come profundidade, e isso tem preço
Ordem a mercado não tem campo de preço. Tem quantidade e a instrução de conseguir agora, o que significa percorrer as ordens paradas do outro lado, do melhor preço para fora, até completar.
Uma ilustração sem número de mercado nenhum. Suponha que a melhor venda cobre um quinto do tamanho que você quer. O tick seguinte cobre mais um quinto. O resto só existe dois ticks acima, na prateleira onde alguém grande está parado. Sua ordem única leva os três níveis, e sua execução é a média ponderada deles, que fica acima do preço que estava na tela quando você clicou. A tela não mentiu e a corretora não aprontou nada: no topo do livro não havia tamanho suficiente para o que você pediu.
Essa diferença entre preço exibido e média obtida é o deslizamento, e a propriedade mais incômoda dele é administrativa antes de ser matemática: ele fica embutido no preço de execução, então ninguém cobra. O deslizamento não é uma taxa, não aparece como linha em extrato nenhum, não está na tabela de tarifas e não entra no histórico. Tem gente que confere comissão na quarta casa decimal e não faz ideia de quanto paga aqui, e em par sem liquidez esse é o número grande dos dois.
Para ter noção de tamanho, basta trabalhar com proporção. Se a taxa de taker é 0,1% e a média de execução saiu 0,4% acima do preço que você via, oito de cada dez unidades de custo daquela operação vieram do deslizamento, não da taxa. O mesmo par, em horário de livro mais cheio, pode fechar isso em 0,05%. Taxa é contrato; deslizamento é circunstância.
É por isso que empurrar valor grande de uma vez fica mais caro quanto mais fino o livro. Dividir em várias entradas, deixar limitada e esperar, ou usar a execução programada da corretora são caminhos diferentes com contrapartidas diferentes. Qual serve depende do par e do momento. Reduzir a taxa em si é outro assunto e está em a forma mais barata de comprar, mas nenhuma tabela de tarifas salva uma ordem que come quatro níveis de um livro raso.
5. Duas garantias, e só dá para escolher uma
Com o livro na cabeça, dá para enunciar a regra que sustenta a boleta inteira. Você fixa o preço que paga ou fixa que a operação acontece. Os dois ao mesmo tempo não existem, porque o segundo depende de alguém estar disposto a negociar com você naquele instante.
| Ordem limitada | Ordem a mercado | |
|---|---|---|
| O que fica fixo | O pior preço que você aceita | Que a quantidade seja executada agora |
| O que fica em aberto | Se executa e quando | Qual vai ser o preço médio |
| Onde ela mora | No livro, visível, ocupando lugar na fila | Em lugar nenhum: existe enquanto consome o outro lado |
| Lado da taxa | Maker, se não atravessar ao ser colocada | Taker, sempre |
| Falha típica | O preço não volta e nada acontece | A média sai mais longe do que se imaginava |
| Para que serve | Quando o preço importa mais que o momento | Quando entrar ou sair importa mais que a última fração de porcento |
O resto dos nomes são variações desses dois. Post only é uma limitada que se recusa a virar taker. Stop-market é uma ordem a mercado com uma condição na frente. OCO são duas ordens que vigiam uma à outra. Fill or kill é uma ordem a mercado com exigência de tudo ou nada. Entendida a tabela, a lista de abas para de parecer outro idioma.
Tem ainda um meio de campo bastante usado sem nome próprio: colocar uma limitada um pouco do lado desfavorável do preço atual. Na maior parte das vezes executa na hora, e em compensação estabelece um teto para o pior preço possível se o mercado abrir de repente. Troca-se um pouco de certeza de execução por um limite de preço. Algumas corretoras oferecem isso como botão separado, com nomes próprios.
O mesmo recurso vira armadilha do outro lado. Na hora de sair, colocar teto de preço significa que, se o mercado passar daquela linha, nada é executado. É o mesmo mecanismo, e o julgamento sobre ele muda conforme o objetivo da ordem.

6. O que fazer com a parte que não executou
O menu de validade responde a uma pergunta só: o que fazer com a parte que não deu para executar no instante em que a ordem chegou. Três siglas cobrem quase toda boleta.
| Opção | Instrução | O que ganha | O que custa |
|---|---|---|---|
| GTC válida até cancelar | Continua viva até executar ou você cancelar | Trabalha o tempo que você deixar e acumula prioridade de fila | Pode executar horas depois, numa condição que você não teria escolhido |
| IOC executa e cancela o resto | Pega o que dá agora e cancela o restante | Rapidez, sem deixar rastro no livro | Execução parcial é o normal, então a quantidade recebida não é a pedida |
| FOK tudo ou nada | Tudo de uma vez ou nada | Nunca sobra meia posição | Em livro raso simplesmente não faz nada, repetidamente |
Do lado dessas três está o iceberg, que responde a outra pergunta: não é sobre tempo, é sobre visibilidade. Uma ordem iceberg mostra no livro apenas uma fatia do tamanho total e revela a próxima conforme a visível executa. A documentação da Binance dá o exemplo de uma venda grande exibida ao mercado em incrementos pequenos, com as porções escondidas entrando no livro à medida que cada porção visível é executada. O objetivo é não anunciar tamanho para quem olha a profundidade. O custo é tempo: cada fatia nova entra no fim da fila do seu nível, atrás do que chegou enquanto a anterior trabalhava. A Binance também documenta que quantidade iceberg não funciona junto com IOC nem com FOK, o que faz sentido, já que esconder tamanho só ajuda uma ordem disposta a esperar.
Aqui os valores padrão pesam mais do que em qualquer outro campo, porque esse menu já vem preenchido e quase ninguém abre. Ordem que se cancela sozinha, ou que executa uma fração e some, normalmente está cumprindo à risca uma configuração que ninguém tocou. E ordens GTC muito antigas também podem ser canceladas em bloco quando a corretora retira um par ou muda a especificação do contrato.
As três opções só mostram diferença real em livro fino. Em par grande e valor pequeno, GTC, IOC e FOK terminam praticamente igual, porque há tamanho suficiente no topo para tudo. Quando o volume rareia, o IOC devolve uma fração, o FOK não faz nada e o GTC deixa o restante exposto no livro enquanto o mercado anda. É a mesma instrução produzindo resultados opostos conforme a liquidez, e não uma sendo mais sofisticada que a outra.
O iceberg segue a mesma lógica de contexto. Esconder tamanho ajuda quando a sua ordem é grande em relação ao que está parado no livro; em ordem pequena não muda nada e só adiciona tempo. Fora isso, nem toda corretora oferece o recurso em todos os pares, e o tamanho mínimo de cada fatia costuma ter regra própria.
7. Ordem condicional: o stop não está no livro
Agora a parte que mais gera reclamação. Muita gente imagina o stop parado no livro, pronto para vender, do mesmo jeito que uma limitada. Ele não está lá.
Stop é uma condição guardada pela corretora. Não aparece na profundidade, ninguém mais enxerga, não ocupa lugar em fila e não contribui com liquidez. O que existe é uma instrução no formato: quando o preço chegar a tal nível, crie tal ordem. Antes disso não há ordem alguma.
O ciclo tem três etapas e cada uma falha de um jeito.
- Espera. A corretora observa um preço de referência. Em derivativos você costuma escolher qual, e essa escolha muda o comportamento.
- Disparo. A condição se cumpre e a corretora envia a ordem de verdade naquele instante. É o primeiro momento em que o mercado fica sabendo de alguma coisa.
- Execução. A ordem enviada se comporta como qualquer outra daquele tipo, com as propriedades e com todas as formas de falhar daquele tipo.
A terceira etapa é onde as pessoas assumem uma garantia que não existe. O stop decide quando uma ordem é criada. Que preço o livro oferece naquele instante é outra pergunta, respondida pela profundidade e pelas regras de fila, igual a qualquer outra ordem.
Esse detalhe tem um efeito colateral pouco comentado: como as condições ficam invisíveis, ninguém lê no livro onde estão os stops dos outros, e você também não. É por isso que em certos níveis aparece de repente uma enxurrada de ordens que um segundo antes não existia. Eram condições virando ordens ao mesmo tempo.
8. Stop-limit e stop-market falham em direções opostas
Quando o stop dispara, ele precisa criar alguma coisa, e você escolhe antes o que será. A documentação da Binance separa as duas formas: no stop-limit o preço de disparo aciona uma ordem limitada que é colocada imediatamente no livro; no stop-market o preço de disparo aciona uma ordem a mercado, que é executada no próximo preço disponível e portanto pode ser diferente do preço de disparo.
| Stop-limit | Stop-market | |
|---|---|---|
| O que o disparo cria | Uma limitada no preço que você definiu | Uma ordem a mercado sem preço |
| O que você controla | O pior preço aceito | Só o fato de a saída acontecer |
| Em movimento rápido | O mercado pode passar do limite antes do casamento, e a ordem fica parada, disparada sem executar | Executa, e pode ser longe do disparo, porque aceita todos os níveis necessários |
| Falha silenciosa | Existe. Parece tudo certo e nada foi vendido | Não existe. Você fica sabendo, e pode não gostar do preço |
| Taxa depois do disparo | Depende de a limitada atravessar ou não ao aterrissar | Taker |
Vale dizer com todas as letras, porque é a frase que traz muita gente até aqui. Um stop-limit que dispara numa queda rápida faz exatamente o que foi mandado fazer: coloca uma ordem limitada no seu preço. Se o mercado já está três ticks abaixo, essa ordem fica lá, intocada. Não é que você vendeu mal. Você não vendeu, e a posição seguiu. O software não falhou; a instrução tinha um piso de preço e o mercado foi para baixo dele.
A imagem espelhada é igualmente real. Um stop-market sempre acha contraparte, porque aceita qualquer preço, e num livro esburacado esse preço pode ficar bem longe do número digitado. Nenhum dos dois é mais seguro no abstrato: eles falham em direções opostas, e escolher é escolher qual falha você prefere explicar para si mesmo depois.
A distância entre os dois campos do stop-limit é o ajuste fino dessa escolha. Campos colados preservam o preço exato e aumentam o risco de não executar; campos afastados abrem espaço de execução e aceitam de antemão um preço pior. Quanto afastar depende da profundidade do par e do que cada um está disposto a absorver, e por esse motivo não há número aqui. Em posição alavancada entra ainda um terceiro personagem, o motor de margem, explicado em o que decide uma liquidação.
9. Qual preço o gatilho observa, e quando ele é impedido
Em derivativos, preço não é um número só. O último preço é o que acabou de ser negociado naquela corretora. O preço de índice vem de mercados spot de fora. O preço de marca é o valor justo calculado pela plataforma e é o que o sistema de margem usa para resultado não realizado e para liquidação. A Bybit oferece os três como referência de disparo para ordens condicionais, e a Binance documenta que o preço de stop usa preço de marca por padrão, com o último preço disponível como alternativa.
| Referência | A que reage | Consequência prática |
|---|---|---|
| Último preço | Negócios efetivamente fechados naquela corretora | O disparo fica perto do preço em que você provavelmente vai executar, e também reage a um negócio isolado pouco representativo |
| Preço de marca | O valor justo da plataforma, suavizado com mercados externos | Ignora pavios locais e coincide com a medida que decide uma liquidação |
| Preço de índice | O composto de mercados spot externos | É o menos sensível ao que acontece dentro daquela corretora |
Falta o caso que produz aquela sensação específica de injustiça: o stop que visivelmente deveria ter disparado e não disparou. A Binance oferece uma função de proteção de preço em ordens de stop loss e take profit que impede o disparo quando, no instante em que o preço de stop é tocado, o último preço e o preço de marca estão separados além de um limite publicado para aquele par. A ordem expira em vez de disparar. A intenção é evitar que um negócio distorcido feche posições a preços que não refletem o valor justo, e a documentação registra que ordens enviadas por API não são cobertas por esse ajuste.
Dois termos do mesmo painel entram aqui. O take profit é a mesma máquina com a condição apontando para o outro lado, e vem em versão limitada e a mercado, com o mesmo dilema. O reduce only, às vezes chamado de fechar somente, restringe a ordem a diminuir uma posição existente. Sem essa marca, uma condicional esquecida depois de fechar a posição pode disparar numa conta vazia e abrir posição nova no sentido contrário, que é uma forma bem comum de acordar com algo que você nunca decidiu ter.
Vale conferir também a quantidade das condicionais quando a posição muda de tamanho. Uma ordem presa a uma quantidade antiga fecha só parte do que existe hoje, e o resto continua aberto sem proteção nenhuma.

10. Ordens que vigiam umas às outras: OCO, OTO e trailing
Até aqui foram instruções avulsas. As listas de ordens deixam o motor segurar várias que vigiam umas às outras, o que dispensa estar na frente da tela quando alguma se resolve.
| Estrutura | Como é montada | Para que serve |
|---|---|---|
| OCO uma cancela a outra | Duas ordens colocadas juntas, uma de cada lado do preço. Quando uma chega a estado final, o motor cancela a outra. No spot da Binance, uma perna é take profit ou limit maker e a outra é stop loss | Deixar uma saída acima e outra abaixo sem correr o risco de as duas executarem |
| OTO uma aciona a outra | Uma ordem que trabalha e outra que fica pendente. A pendente só é ativada quando a primeira executa | Deixar pronta uma instrução seguinte para uma entrada que ainda não aconteceu |
| OTOCO | Uma entrada que, ao executar, ativa um par OCO acima e abaixo | Colocar entrada e as duas saídas em um gesto só |
| Trailing stop | Acompanha o extremo alcançado depois da ativação e dispara quando o preço volta essa distância de callback. A documentação de futuros da Binance coloca o callback entre 0,1% e 10% e permite um preço de ativação opcional, com as duas condições necessárias antes de emitir a ordem a mercado | Acompanhar um movimento sem decidir de antemão onde ele termina |
| Execução programada ou TWAP | Distribui uma quantidade grande ao longo de uma duração definida, soltando fatias. Em futuros da Binance a duração fica entre cinco minutos e vinte e quatro horas, com limites de valor e teto de ordens algorítmicas simultâneas | Reduzir a pegada em cada instante, aceitando exposição durante todo o programa |
O trailing merece um aviso, porque surpreende de um jeito específico: a distância só se ajusta em uma direção e nunca volta a alargar. Depois que o extremo anda, o gatilho anda junto de forma permanente, e uma volta brusca pode entregar execução bem além da distância que estava na sua cabeça. Ele fixa uma distância, não fixa um nível.
Com as listas aparece também um assunto prático de saldo. No spot, um OCO reserva a mesma quantidade para as duas pernas, então aquele saldo fica preso para outras ordens. Se uma perna executa parcialmente, a quantidade da outra é ajustada, e a forma de ajustar muda conforme a corretora. Essas ferramentas são conforto de gestão, não proteção extra: cada perna continua com as propriedades do tipo que é, então uma perna de stop-limit carrega junto o risco de não executar. O que cada plataforma oferece está em o mapa de recursos, e automatizar tamanho e momento já é outra categoria, a de copiar operações de outra conta.
11. As cinco regras que recusam a ordem antes do livro
Algumas ordens nem chegam ao livro. A corretora confere antes um conjunto de regras publicadas por par e, se alguma for violada, recusa com uma mensagem tecnicamente correta e totalmente opaca.
| Regra | O que exige | Como aparece |
|---|---|---|
| Passo de preço | O preço precisa ser múltiplo de um incremento publicado para o par | Ordem digitada com uma casa decimal a mais é recusada, ou arredondada em silêncio, dependendo da plataforma |
| Passo de quantidade | A quantidade precisa ser múltiplo de outro incremento | Aparece “quantidade inválida” em um número que parece perfeitamente razoável |
| Valor mínimo | Preço vezes quantidade precisa passar de um piso | Ordens pequenas de teste são recusadas mesmo com saldo sobrando. Costuma ser o primeiro encontro |
| Faixa de preço | O preço precisa estar dentro de um intervalo medido contra uma média recente, com limites separados por lado | Uma limitada colocada bem longe do mercado é recusada em vez de ficar lá |
| Teto de ordens abertas | Cada par aceita um número máximo de ordens abertas e outro de condicionais | As primeiras entram bem e, a partir de certo ponto, começam a falhar |
Nenhum desses valores é universal. São publicados por par, mudam entre plataformas e são revisados. O proveito não está em decorar números e sim em criar um hábito: ao receber a recusa, ler qual das cinco foi, porque cada uma tem conserto óbvio e nenhuma indica problema com a conta.
Existe ainda um estado que se confunde com recusa: a ordem que foi aceita e sumiu da lista. O cancelamento automático do post only, o cancelamento do restante no IOC e a expiração de uma condicional com validade limitada entram todos aí, e os três são finais normais. No histórico de ordens cada estado aparece separado, então procurar lá é mais rápido que procurar no histórico de execuções.
Saldo também recusa ordem. No spot, ordens já colocadas seguram fundos, então o número que aparece disponível pode não estar. Em derivativos entram ainda a margem necessária e a taxa, e uma ordem ajustada no centavo pode ficar de fora. Cancelar pendências costuma resolver os dois casos. E antes de depositar em qualquer lugar, a checagem anterior é outra: a de saber se a corretora é confiável.
12. O que olhar antes de enviar e como ler as execuções
Dois hábitos evitam quase todas as surpresas descritas acima, e os dois levam segundos.
- Olhar a profundidade, não o preço. O número no topo diz onde aconteceu o último negócio. O que sua ordem vai custar é dito pelo tamanho parado a poucos ticks dali.
- Ler os controles pequenos antes de enviar. Validade, post only, reduce only e referência de disparo costumam estar em padrões que ninguém escolheu.
Depois, vale ler direito as execuções. Uma ordem pode gerar várias, cada uma com preço e horário próprios, e a posição mostra a média ponderada. Preço médio que não bate com o digitado costuma ser profundidade e execução parcial fazendo o trabalho de sempre, não erro da plataforma. As taxas, aliás, são cobradas por execução: três execuções deixam três linhas de taxa.
Em conta de derivativos entram dois valores sem clique nenhum: o funding em cada liquidação programada e, se a margem acabar, o fechamento forçado com taxa própria. Se a base ainda está sendo montada, como começar e a parte de custódia em carteiras vêm antes de qualquer aba desta boleta.
Onde você coloca as ordens também muda o resultado, porque o desenho da boleta, os tipos disponíveis e as colunas de taxa variam de plataforma para plataforma. A comparação está em o guia de corretoras, e abaixo ficam as contas mais usadas por quem lê este site.
Binance
Bybit
Gate.io
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13. Glossário: quinze termos que cobrem a boleta
Quinze termos que cobrem a boleta inteira. Tudo acima são essas palavras em frases.
| Termo | Significado |
|---|---|
| Livro de ordens | A lista de compras e vendas paradas em cada preço, contra a qual sua ordem é casada |
| Spread | A distância entre a melhor compra e a melhor venda. Atravessar é o primeiro custo da pressa |
| Profundidade | Quanta quantidade descansa perto do topo do livro. Define o custo de uma ordem a mercado |
| Prioridade preço-tempo | A regra de casamento: melhor preço primeiro, depois quem chegou antes naquele preço |
| Maker | Ordem que descansa no livro e é casada depois. Paga a taxa de maker |
| Taker | Ordem que casa na hora contra liquidez parada. Paga a taxa de taker |
| Post only | Instrução que cancela a ordem em vez de deixá-la virar taker |
| Deslizamento | Diferença entre o preço visto e a média obtida. Fica dentro do preço de execução e não é cobrado |
| Validade | O destino do restante não executado: GTC mantém, IOC cancela, FOK recusa execução parcial |
| Iceberg | Ordem que mostra só uma fatia do tamanho e revela a próxima conforme executa |
| Preço de disparo | A condição que provoca a criação de uma ordem. Ela mesma não é uma ordem |
| Referência de disparo | Contra qual preço a condição é medida: último, marca ou índice |
| Reduce only | Marca que restringe a ordem a diminuir uma posição existente |
| Valor nocional | Preço vezes quantidade. Valor mínimo e taxas são calculados sobre ele |
| Execução parcial | Parte da quantidade executada; o restante continua trabalhando no mesmo preço |







